As críticas internas à condução da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltaram a expor divergências no bolsonarismo e colocaram o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, no centro de uma disputa sobre os rumos da articulação política. Segundo apuração do jornal O Globo, aliados do parlamentar passaram a questionar a comunicação e a concentração de decisões sob responsabilidade de Marinho após a viagem de Flávio aos Estados Unidos, onde discursou contra a possibilidade de um tarifaço sobre produtos brasileiros.
De acordo com a reportagem, parte do PL avalia que Rogério Marinho passou a concentrar a maior parte das decisões relacionadas à pré-campanha, exercendo influência sobre praticamente toda a estrutura responsável pela articulação eleitoral. Integrantes do partido e aliados do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmam que um movimento de desgaste vem sendo alimentado, inclusive nas redes sociais, com o objetivo de enfraquecer o senador potiguar dentro da campanha.

O debate também alcançou dirigentes partidários, parlamentares e representantes de diferentes correntes da direita, embora não exista consenso sobre eventuais mudanças na coordenação. Procurados por O Globo, integrantes da campanha negaram qualquer crise e afirmaram, sob reserva, que as manifestações partem de pessoas que ficaram fora da estrutura da campanha e agora tentam ganhar espaço por meio de críticas públicas. Segundo esses interlocutores, Eduardo Bolsonaro não participa de qualquer articulação contra Rogério Marinho e o planejamento da pré-campanha será mantido.
As reclamações ganharam força após manifestações públicas de influenciadores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-secretário de Comunicação da Presidência Fábio Wajngarten publicou nas redes sociais que “a campanha de Flávio não existe” e sugeriu mudanças na coordenação e na comunicação. Entre os nomes citados por ele estão Marcello Lopes, conhecido como Marcelão, para a coordenação-geral; o marqueteiro Duda Lima para a direção operacional da comunicação; Walter Longo para o planejamento; e Antônio Costa Neto, o “Toninho”, para a criação. Wajngarten também defendeu maior participação de representantes do agronegócio, dos segmentos evangélico e católico, da segurança pública, da saúde, da educação e do varejo nas decisões da campanha.
A proposta foi interpretada por integrantes do partido como uma defesa de um modelo com maior participação política e menos concentração das decisões em um grupo reduzido. Entretanto, segundo interlocutores da campanha ouvidos por O Globo, as mudanças não estão em discussão. Marcelão deixou formalmente a equipe após o desgaste provocado pelo financiamento do filme Dark Horse e, embora mantenha proximidade com Flávio Bolsonaro, não há intenção de reintegrá-lo ao núcleo oficial. Duda Lima também já informou que não pretende participar da campanha, enquanto Walter Longo e Antônio Costa Neto deixaram a equipe anteriormente.
Outro crítico da condução da pré-campanha é o influenciador Paulo Figueiredo, que afirmou que a equipe desperdiçou a agenda internacional de Flávio Bolsonaro por não organizar entrevistas, divulgar imagens ou promover uma coletiva de imprensa durante a viagem aos Estados Unidos.
Apesar das críticas, dirigentes do PL saíram em defesa de Rogério Marinho. O líder do partido na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que “não é fácil a missão dele. As críticas são injustas”. Já o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), classificou Marinho como “uma das pessoas mais razoáveis e inteligentes” da legenda.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, adotou um discurso de conciliação diante das divergências internas. “Precisamos fazer o nosso pessoal se entender melhor para poder ganhar a eleição”, declarou.
Entre os críticos também há questionamentos ao trabalho dos estrategistas Eduardo Fischer e Alexandre Oltramari. Pessoas ligadas à campanha, no entanto, afirmam que ambos vêm obtendo resultados positivos, citando a recuperação de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto.