Com a chegada do outono, aumentaram os casos de sintomas respiratórios no Brasil, impulsionados pela combinação de ar seco, maior permanência em ambientes fechados e circulação de vírus. Nesse cenário, especialistas alertam para a necessidade de diferenciar quadros alérgicos de infecções virais, como gripe e resfriado, já que os sintomas podem ser semelhantes, mas exigem cuidados distintos.
Dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia indicam que cerca de 30% da população brasileira convive com algum tipo de alergia. No mundo, a Organização Mundial de Alergia estima que entre 30% e 40% das pessoas apresentem essas condições, com projeção de crescimento para até 4 bilhões de casos até 2050.

Segundo Luis Felipe Ensina, coordenador do Núcleo de Alergia do Hospital Sírio-Libanês, o período favorece o agravamento dos quadros respiratórios. “Durante o outono, observamos uma combinação de fatores que fragiliza as defesas naturais das vias aéreas. O ar mais seco irrita a mucosa, enquanto a maior permanência em ambientes fechados favorece a circulação de vírus. É um cenário perfeito para o aumento dos quadros respiratórios”, diz.
Esse contexto intensifica sintomas como nariz entupido, espirros, tosse e cansaço. A presença de poeira, ácaros e poluentes, aliada à circulação de vírus como influenza e rinovírus, atua como gatilho para crises, especialmente em pessoas com doenças respiratórias crônicas.
A médica Chayanne Andrade de Araújo, do mesmo núcleo, destaca que a principal dificuldade está na identificação correta da causa. “O que muita gente não percebe é que esses sintomas não têm uma única causa. É a soma de ar seco, poluentes, alérgenos e vírus circulando ao mesmo tempo. Para quem já tem rinite ou asma, esse conjunto funciona como um fator importante para crises”, afirma.
Ela explica que há diferenças importantes entre alergia e infecção viral. “Quadros alérgicos costumam provocar espirros frequentes, coceira, coriza transparente e lacrimejamento, podendo persistir por semanas. Já as infecções virais são mais curtas e geralmente vêm acompanhadas de febre, dor no corpo, dor de cabeça e mal-estar.”
Em alguns casos, no entanto, os dois quadros podem ocorrer simultaneamente, dificultando o diagnóstico. Uma infecção viral pode desencadear uma crise alérgica, fazendo com que os sintomas se sobreponham.
Outro ponto de atenção é a automedicação. “O uso frequente de descongestionantes nasais pode provocar efeito rebote e agravar os sintomas. Soma-se a isso a interrupção de tratamentos contínuos para asma e rinite, que também contribui para o aumento das crises respiratórias”, reforça Luis Felipe Ensina.
Especialistas recomendam medidas preventivas como manter ambientes ventilados, evitar acúmulo de poeira, higienizar as mãos com frequência e manter a vacinação em dia. Para pessoas com doenças respiratórias, a orientação é manter o tratamento regular e procurar avaliação médica.
Pode ser alergia:
- Espirros frequentes, em sequência
- Coceira no nariz, olhos e garganta
- Coriza transparente
- Lacrimejamento
- Congestão nasal
- Pode durar dias ou até semanas
- Não causa febre nem dor no corpo
Pode ser infecção viral (gripe ou resfriado):
- Espirros e tosse, geralmente mais leves
- Coriza e nariz entupido
- Febre
- Dor no corpo e dor de cabeça
- Mal-estar e cansaço mais intensos
- Dura, em média, de 3 a 5 dias