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Desdobramento

Comprovante de residência causa conflito entre MLB e Guarda Municipal em Natal

O documento foi solicitado aos integrantes do movimento durante eleição do Plano Diretor. Em imagens que circulam nas redes sociais é possível ver uma confusão e os guardas fazendo uso de spray de pimenta em direção aos manifestantes
Redação
26/01/2021 | 17:03

A vereadora Brisa Bracchi (PT-RN) explicou que o conflito entre o Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e a Guarda Municipal de Natal aconteceu na segunda-feira 25 em virtude da exigência, por parte da Prefeitura do Natal, do comprovante de residência dos integrantes do movimento. A apresentação do documento era a condição para que eles tivessem os nomes inclusos na lista, que permitia a participação na eleição que tinha por finalidade escolher os delegados do Plano Diretor. O processo foi suspenso.

Segundo a parlamentar, o documento em questão foi solicitado assim que os integrantes do MLB chegaram na praça Augusto Leite, no Tirol, onde acontecia a discussão. Como eles moram em ocupações, possuem uma declaração que comprova a situação – o que é equiparado ao comprovante de residência. O atestado, inclusive, é aceito em outras instituições da própria prefeitura, como os Centros de Referência de Assistência Social (Cras), de acordo com Brisa.

Comprovante de residência causa conflito entre mlb e guarda municipal em Natal RN
O conflito aconteceu na segunda - Foto: Reprodução

“Eu cheguei ao local de votação exatamente na hora que aconteceu a truculência policial frente aos manifestantes do MLB. O conflito partiu por parte da prefeitura, que usou força policial e spray de pimenta. Nós, por outro lado, acreditamos ser necessário construir um outro caminho; um caminho de diálogo com os movimentos sociais, ainda que em situações de tensão”, comenta a vereadora.

A posição de Brisa se sustenta, segundo ela, na “essência participativa do Plano Diretor”. “Não se pode reprimir o movimento social da cidade, ainda mais em um processo como esse, que pauta a moradia. Aguardamos, agora, a nova data da votação, e espero que, quando isso acontecer, o movimento possa participar tranquilamente e que o exercício da democracia seja respeitado”, declara.

A vereadora emitiu um nota nesta terça-feira 26, que pode ser lida ao fim da matéria.

O plano diretor define as regras para ocupação e reordenamento dos espaços físico-territoriais de um município. Em Natal, o documento foi revisado pela última vez em 2007. O documento é elaborado pelo Poder Executivo Municipal, com participação da sociedade civil organizada, em um processo de planejamento participativo.

Aldo Clemente critica

O vereador Aldo Clemente (PDT-RN) se manifestou em relação ao acontecido – o qual ele classificou como “invasão”. “Manifesto minha total indignação e repúdio ao ato lamentável a que assistimos. Uma ação antidemocrática e que desrespeita a sociedade natalense. Um verdadeiro atentado à democracia. Protesto claramente com interesses políticos, que só prejudica Natal e que tem como único objetivo travar um debate que se arrasta há 13 anos”, diz.

O vereador argumenta, ainda, que o debate sobre o Plano Diretor de Natal é fundamental para o futuro da cidade. “E isso não pode mais esperar. Temos uma legislação defasada, que impede o crescimento da capital. Vamos atualizar o projeto, permitindo que Natal possa retomar seu desenvolvimento perdido nos últimos anos e manter a preservação do meio ambiente”, finalizou.

Nota da vereadora Brisa

“O mandato da vereadora Brisa vem nesta nota expor o ocorrido na manhã de ontem (25), na quadra de esportes Mário Dourado, localizada na Praça Augusto Leite, bairro de Tirol, durante o primeiro dia da Pré-Conferência da Revisão do Plano Diretor de Natal. Na ocasião, teve início a votação das delegadas e delegados do segmento de Movimentos Populares, que foi suspensa pela dificuldade no diálogo entre a Prefeitura de Natal e setores da sociedade civil organizada, dando continuidade ao que vem ocorrendo ao longo do processo, em que se verificou cerceamento de falas, obstrução à plena participação popular em eventos públicos e criminalização de movimentos legítimos.

Ressaltamos que a parlamentar chegou ao local para exercer seu direito ao voto enquanto candidata à delegada na Revisão, que acompanha desde 2019 pelos movimentos sociais que integra. Ao se deparar com o conflito, buscou cumprir o seu papel constitucional na mediação entre os Movimentos Populares e a Prefeitura, além de fiscalizar o processo. É importante frisar que prezamos pelo diálogo e repudiamos a violência realizada contra as famílias do MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas), que tiveram o seu direito à participação impossibilitado. Não compactuamos com quaisquer ações de caráter antidemocrático que tenham como objetivo intimidar e limitar a participação dos movimentos populares na Revisão do Plano Diretor.

Aguardamos que o Núcleo Gestor e o CONCIDADE estabeleçam uma nova data para a votação das delegadas e delegados do segmento de Movimentos Populares. Seguiremos participando do processo com o intuito de contribuir e qualificar as discussões da pauta, fiscalizando e denunciando eventuais irregularidades que tornem a acontecer.

Convocamos a sociedade civil a acompanhar e participar ativamente desse processo tão importante para questões centrais relacionadas à pauta urbana em favor do bem viver e de uma cidade sustentável para todas e todos.

Mandato da vereadora Brisa (PT)”

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