Entre o final de 2025 e o início de 2026, a NASA realizará uma missão com o objetivo de analisar a progressão de doenças neurológicas e buscar tratamentos/cura para os níveis mais severos do transtorno do espectro autista e do Alzheimer. O professor e cientista brasileiro, Alysson Muotri, que chefia o laboratório de pesquisa Muotri Lab, na Universidade da Califórnia, em San Diego, nos Estados Unidos, participará do projeto com mais 4 pesquisadores.
Durante a missão serão analisados os “organoides cerebrais” de pacienets com Alzheimer e espectro autista. Também conhecidos como “minicérebros”, essas são pequenas estruturas com neurônios, criadas a partir de células-tronco de diferentes indivíduos vivos, que “imitam” aspectos do funcionamento do órgão.

Em entrevsita à CNN, Muotri explicou como será o experimento. Desde 2019 estão sendo feitos viagens espaciais para análise, mas sem cientistas. Com isso, foi descoberto que 30 dias em missão equivalem a 10 anos na terra, e os organoides continuam envelhecendo normalmente, permitindo uma melhor análise em tempo maior sobre os organoides cerebrais.
“O aceleramento do desenvolvimento ou do envelhecimento dos organoides cerebrais permite com que a gente estude o que acontece em outras etapas da vida da pessoa”, explicou o cientista brasileiro.
A partir da missão será possível verificar como surge e se desenvolve a Doença de Alzheimer, que costuma aparecer na velhice, prevendo como o cérebro humano se comportará em diferentes estágios da doença ou do transtorno.
“Eu poderia cultivar o organoide por 80 anos? Poderia, mas não estarei mais aqui quando ele estiver maduro o suficiente para eu estudar o Alzheimer”, pontuou o cientista.
Com informações da CNN Brasil.
Autismo e Alzheimer no Brasil
Segundo dados do Portal do Autismo, da Fundação Catarinense de Educação Especial, a quantidade exata de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Austista (TEA) ainda é incerta. Em 2022 a prevalência estimada por organismos internacionais é de 1 caso para cada 44 nascimentos. No Brasil, estima-se que haja, aproximadamente, dois milhões de pessoas com TEA.
No Brasil, o alzheimer afeta 1,2 milhão de pessoas e 100 mil novos casos são diagnosticados por ano. A condição, que afeta principalmente pessoas acima dos 65 anos, é o principal tipo de demência no mundo e é responsável por aproximadamente 70% dos casos da doença. A estimativa é que cerca de 50 milhões de pessoas vivem com a doença, número que deve aumentar nos próximos anos, devido ao envelhecimento da população.