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Investigação

FBI impede plano de pai que confessou ao ChatGPT intenção de matar o filho

Investigação aponta que suspeito planejava matar o filho para evitar o pagamento de pensão alimentícia
Redação
26/06/2026 | 12:07

Um homem de 36 anos foi preso no Espírito Santo suspeito de planejar matar o próprio filho de 8 anos para evitar o pagamento de pensão alimentícia à ex-companheira. O plano foi descoberto após mensagens enviadas pelo investigado ao ChatGPT, da OpenAI, serem repassadas ao FBI, que comunicou as autoridades brasileiras. A prisão ocorreu em 19 de junho, um dia antes da data em que o crime seria executado, segundo a Polícia Civil. O caso foi divulgado nesta quinta-feira (25).

De acordo com a investigação, o suspeito utilizava a ferramenta de inteligência artificial para relatar seus planos e, segundo a polícia, confessava que havia contratado um pistoleiro para matar o filho.

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Homem de 36 anos foi preso em São Gabriel da Palha (ES) após investigação iniciada com informações compartilhadas pela OpenAI ao FBI -Foto: Reprodução/PCES

“Ele enviava mensagens para a Inteligência Artificial e, nessas mensagens, abrindo o seu coração, ele dizia que estava contratando um pistoleiro para matar o seu filho, um filho que ele não tinha contato, de uma ex-companheira”, afirmou o delegado adjunto da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), Ícaro Olímpio.

Segundo o delegado, em uma das conversas o investigado afirmou possuir uma arma de fogo, uma corda e cianeto, substância altamente tóxica. A investigação também aponta que ele manifestava intenção de realizar atentados contra escolas, igrejas e autoridades públicas, buscando provocar o maior número possível de vítimas.

O caso chegou à Polícia Civil do Espírito Santo após uma denúncia encaminhada pelo FBI em 16 de junho. As informações foram inicialmente enviadas pela OpenAI às autoridades norte-americanas e, posteriormente, compartilhadas com o Ministério da Justiça do Brasil, que as repassou à polícia capixaba.

“Os elementos foram fornecidos pela própria empresa responsável por essa Inteligência Artificial e, através das conversas mantidas, desse arquivo de dados que nos foi encaminhado, nós tivemos elementos suficientes para poder prevenir esse grave crime que estava prestes a acontecer”, explicou Ícaro Olímpio.

A prisão foi realizada com apoio da Delegacia de Polícia de São Gabriel da Palha, no Noroeste do Espírito Santo. O agricultor foi detido quando saía de casa para trabalhar, em cumprimento a mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão.

Segundo o delegado, durante o interrogatório o suspeito negou inicialmente as acusações.

“A princípio, ele negou os fatos, negou tudo que havia ali na Inteligência Artificial, mas nós, com base nesse arquivo de dados, com base em tudo que nos foi passado, caminhamos para concluir o inquérito e temos a convicção de que nós evitamos o que seriam atos de extrema violência”, afirmou.

O homem foi autuado pelos crimes investigados, e a Polícia Civil representou pela prisão preventiva com base nas ameaças, na tentativa de homicídio e na incitação ao crime. O nome dele não foi divulgado.

O delegado informou que o indiciamento ainda não foi concluído porque a investigação permanece em andamento.

“Os materiais que foram apreendidos estão sendo encaminhados para perícia e, após o laudo pericial, após o fechamento de todas as diligências, nós então faremos o indiciamento”, concluiu.

Como a investigação começou

A investigação teve início após o FBI receber informações fornecidas pela OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT. As conversas atribuídas ao suspeito indicavam planejamento detalhado para o assassinato do filho, além de ataques em massa contra escolas, igrejas e autoridades.

Com base no material compartilhado entre as autoridades norte-americanas e brasileiras, a Polícia Civil representou pelas medidas cautelares que resultaram na prisão preventiva do investigado antes da data prevista para o crime.

Os equipamentos e materiais apreendidos durante a operação passarão por perícia para subsidiar a conclusão do inquérito. Segundo a Polícia Civil, somente após o encerramento das diligências será definido o indiciamento do suspeito.