As prioridades do Plano Diretor de Natal têm que ser completamente invertidas, essa é a ideia que defende o professor do Departamento de Políticas Públicas da UFRN, Robério Paulino. Segundo o que ele considera, atualmente as cidades brasileiras, incluindo a capital potiguar, são apropriadas pelo capital, pelos interesses das construtoras, das empresas de transportes e dos grandes centros comerciais. “ Isso precisa mudar”, afirma.
O primeiro passo no sentido de alcançar essa inversão, na opinião de Robério, é virar a orientação e discutir para quem e para que deve servir a cidade. “A cidade não pode ser só uma praça de acumulação de lucros, é assim que entendem a cidade, mas nós entendemos como um espaço que deve servir como local agradável para a população o que não acontece hoje porque as cidades funcionam em função do capital”, critica.

Ainda conforme observa o professor, a expansão urbana de Natal está sendo ditada sem nenhum planejamento para a população, principalmente a parcela mais carente. Em contraponto, avalia que o crescimento da cidade do Natal ocorre ao sabor dos interesses das grandes empresas. “Tem que se discutir quais as prioridades da cidade e chamar a população para que tome a cidade nas mãos. A população tem que participar das audiências, para que as cidades não fique apenas nos interesses empresariais.
O Plano Diretor é um instrumento básico para orientar a política de desenvolvimento e de ordenamento da expansão urbana do município, norteando a ação dos agentes públicos e privados. A Câmara Municipal iniciou na quarta-feira (6) o debate em torno da revisão do plano durante audiência pública. Em Natal, o plano em vigência foi aprovado em 2007 com previsão de ser revisado a cada 4 anos. Contudo, até então, ainda não foi revisado.