O Pentágono anunciou a saída imediata do secretário da Marinha dos Estados Unidos, John C. Phelan, em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio e ao bloqueio naval imposto pelos EUA no Estreito de Ormuz. A decisão foi comunicada pelo porta-voz Sean Parnell, que confirmou a substituição interina pelo subsecretário Hung Cao.
A saída ocorre apenas um dia após Phelan participar de evento oficial em Washington, onde apresentou diretrizes e projetos em andamento para a Marinha. O movimento surpreendeu setores do governo e da indústria de defesa, especialmente por acontecer em um momento de elevada sensibilidade geopolítica, com operações militares e estratégicas em curso na região do Golfo.

Nos bastidores, a decisão reflete tensões acumuladas dentro do alto comando do Departamento de Defesa. Segundo relatos publicados pelo The Wall Street Journal, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, vinha acumulando divergências com Phelan, especialmente após episódios em que o então secretário da Marinha teria levado propostas diretamente ao presidente Donald Trump, contornando a cadeia hierárquica do Pentágono.
A saída também se insere em um contexto mais amplo de mudanças na cúpula militar. Nas últimas semanas, o comando do Departamento de Defesa promoveu a demissão de oficiais de alto escalão, incluindo o general Randy George, indicando um processo de reestruturação interna em meio a desafios estratégicos crescentes.
Indicado ao cargo no fim de 2024, Phelan não possuía trajetória militar prévia nem experiência em liderança civil na Marinha, tendo construído carreira no setor financeiro como fundador da Rugger Management LLC. Sua nomeação foi marcada por proximidade política com Trump, de quem foi doador de campanha, além de atuação como conselheiro em organizações ligadas à política externa e segurança internacional.
A troca no comando da Marinha ocorre em um momento de forte pressão sobre as forças armadas americanas, diante da instabilidade no Oriente Médio e da necessidade de coordenação entre diferentes frentes militares. Para analistas, a mudança pode impactar a condução de projetos estratégicos e reforça o ambiente de tensão interna no Pentágono em meio a um cenário geopolítico cada vez mais complexo.