Espaço voltado para a busca de informação e de aprendizado, as bibliotecas conservam ao longo do tempo a memória e a história voltadas a diferentes lugares, pessoas e acontecimentos. No Rio Grande do Norte, 33 bibliotecas públicas estão sob cuidado do Estado e três, localizadas em Natal, pertencem à prefeitura da capital. Abertas a toda a população, esses centros de conhecimento resistem à era digital e à falta de investimento.
Localizada no bairro Petrópolis, a Biblioteca Câmara Cascudo, que está sob o domínio da Fundação José Augusto, conta com cerca de 60 mil livros, distribuídos entre três acervos relacionados a assuntos gerais, infantojuvenil e ao RN. Além disso, mesmo com a baixa frequência de apenas 380 usuários no primeiro trimestre de 2024, o local fica aberto ao público de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, e conta com 18 funcionários.

Para o AGORA RN, o coordenador do espaço, Ailton Medeiros, disse os ambientes bibliotecários têm grande importância para a manutenção da memória pois são considerados um equipamento cultural que guardam o conhecimento humano ao longo da história.
“Essas instituições guardam registros históricos, culturais e científicos, possibilitando o acesso aos dados que formam a base de nossa percepção sobre o mundo e também nossa identidade como sociedade. Graças à coleta, catalogação e manutenção de uma grande variedade de materiais, as bibliotecas favorecem a continuidade do aprendizado, tanto acadêmico como social”, afirmou.
Como forma de preservar a cultura e a história local, principalmente nesses ambientes públicos, ele aponta diversas ações realizadas que atraem diferentes pessoas apaixonadas por diferentes gêneros literários e arte em geral, como lançamentos de livros, exposições de arte e palestras com autores e historiadores locais, que contribuam para a preservação da memória de todo o estado.
No entanto, com a chegada da era digital e do crescimento da leitura em meios eletrônicos, como celulares e computadores, o impacto veio para os corredores das bibliotecas de forma rápida. Segundo Ailton, o uso da internet contribuiu para a facilidade do acesso à informação e eficiência para organizar os materiais.

“O impacto do digital nas bibliotecas tem sido profundamente transformador. A digitalização expandiu o acesso a coleções e recursos, facilitando a pesquisa e o aprendizado remoto. Além disso, a tecnologia digital permitiu uma catalogação mais eficiente e organização de materiais, pois agora podemos ter acesso ao livro na palma de nossa mão ou simplesmente saber se o livro que queremos está disponível no espaço físico da biblioteca”, relatou.
Sendo assim, para se adaptar ao ambiente digital, o coordenador da Câmara Cascudo explicou que novas formas de trabalho, acesso e uso do acervo foram introduzidas e que, para além da implementação de computadores livres para os usuários, as mudanças do analógico para o online já são perceptíveis.
“Os fichários tradicionais deram lugar a catálogos online, livros físicos e periódicos podem ser acessados em bibliotecas digitais e alguns espaços físicos estão sendo usados como laboratórios acadêmicos, a exemplo dos laboratórios de acessibilidade, que são responsáveis em assistir materiais que atendam aos usuários que possuam necessidades educacionais específicas”, exemplificou.
Mesmo assim, Ailton percebe que os desafios atuais para manter a biblioteca em bom funcionamento ainda são significativos, principalmente em relação à falta de investimentos adequados. “Isso afeta sua capacidade de adaptar-se às mudanças tecnológicas e às demandas por recursos digitais, bem como de manter e expandir serviços e coleções. Garantir a acessibilidade para todos os usuários e enfrentar a preservação digital também são preocupações urgentes que requerem atenção e recursos”, relatou.