BUSCAR
BUSCAR
São Paulo

Bebê dado como morto volta a apresentar sinais vitais 2 horas depois em hospital

Recém-nascido de um mês foi readmitido na UTI Neonatal após funcionária de funerária perceber que ele estava vivo
Redação
21/07/2026 | 11:29

O bebê Noah Gabriel da Cruz Santos, de apenas um mês, voltou a apresentar sinais vitais cerca de duas horas após ter o óbito constatado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal da Santa Casa de Rio Claro, no interior de São Paulo. O caso ocorreu na última quarta-feira 15 e mobilizou a equipe médica e a família da criança.

Segundo relato da mãe, Letícia Cristina da Cruz Santos, foi uma funcionária da funerária, que havia ido ao hospital para recolher o corpo e iniciar os procedimentos de velório e sepultamento, quem percebeu que o recém-nascido ainda apresentava sinais de vida. A equipe médica foi imediatamente acionada e o bebê voltou a receber atendimento intensivo.

Noah, de um mês, apresentou sinais vitais cerca de 2 horas após ser dado como morto em Rio Claro, SP. Foto: Arquivo Pessoal
Noah, de um mês, apresentou sinais vitais cerca de 2 horas após ser dado como morto em Rio Claro, SP. Foto: Arquivo Pessoal

“Estamos sem reação, em êxtase. Só contemplando nosso milagre e crendo na obra por completo”, afirmou a mãe.

Noah nasceu prematuro, em 15 de junho, e foi diagnosticado com fenda palatina, uma malformação congênita caracterizada pela abertura no céu da boca, que pode comprometer a alimentação, a fala, a audição e o desenvolvimento dentário. Desde o nascimento, ele permanecia internado na UTI Neonatal enquanto aguardava transferência para um hospital especializado, onde passaria por cirurgia.

Na data em que completou um mês de vida, o bebê apresentou piora no quadro clínico e sofreu uma parada cardiorrespiratória. A Santa Casa informou que a equipe iniciou imediatamente as manobras de reanimação cardiopulmonar, que se estenderam por aproximadamente 45 minutos, seguindo os protocolos da Sociedade Brasileira de Pediatria. Após as tentativas, o óbito foi constatado no fim da tarde.

De acordo com o hospital, após a confirmação da morte, Noah permaneceu por cerca de uma hora na UTI Neonatal para o cumprimento dos procedimentos legais e para que os pais pudessem se despedir. Em seguida, foi encaminhado para outro setor, onde aguardava a retirada do corpo pela funerária escolhida pela família.

Foi nesse momento que, cerca de duas horas após a declaração de óbito, a funcionária da funerária percebeu que o bebê apresentava sinais vitais. A equipe médica realizou uma nova avaliação, confirmou a presença dos sinais e readmitiu Noah na UTI Neonatal, onde ele voltou a receber cuidados intensivos.

Na manhã de sexta-feira 17, o recém-nascido foi transferido para o Hospital de Reabilitação de Anomalias Crânio-Faciais da Universidade de São Paulo (USP), conhecido como Centrinho de Bauru, utilizando a vaga que já aguardava para dar continuidade ao tratamento.

O Hospital

Em nota, a Santa Casa de Rio Claro afirmou que todos os protocolos técnicos e legais para a constatação do óbito foram rigorosamente seguidos e que não identificou falhas assistenciais ou procedimentos passíveis de revisão diante das evidências existentes no momento da declaração da morte.

A instituição destacou ainda que o protocolo brasileiro para constatação de óbito é reconhecido pelo elevado rigor técnico e ressaltou que a médica responsável pelo atendimento possui 14 anos de experiência em neonatologia. Segundo o hospital, a UTI Neonatal dispõe de estrutura especializada e equipe capacitada para esse tipo de atendimento.

A Santa Casa informou que respeita as diferentes interpretações sobre o episódio e reconheceu o impacto do caso entre familiares e profissionais de saúde. Conforme a instituição, para muitas das pessoas envolvidas, o ocorrido é compreendido como um “verdadeiro milagre”.

O hospital encerrou a nota reafirmando o compromisso com a ciência, a ética e a transparência, ao mesmo tempo em que classificou o episódio como um acontecimento extraordinário que marcou profundamente todos os envolvidos.