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Entrevista
Agronegócio espera queda de receitas em 2020, diz Faern
Responsável por 40% das receitas do RN, o agronegócio é a grande esperança de recuperação econômica no pós-Covid 19, afirma o presidente da Federação da Agricultura do RN
Redação
06/07/2020 | 23:08

O setor do agronegócio no Rio Grande do Norte não ficou imune às perdas decorrente da pandemia. Apesar de ter mantido a estrutura ao longo do período, os produtores agrícolas potiguares esperam gradual diminuição das exportaçõespara o restante do ano. No entanto, segundo o presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Norte (Faern), José Vieira, o setor aguarda recuperação para o último trimestre

Agora – Como a atividade rural do RN sairá desta pandemia?

José Vieira – A atividade rural do RN não ficou imune aos efeitos da pandemia. Tomando como referência as exportações agrícolas que representam o componente mais importante da nossa economia, pois respondem por mais de 40% da receita total do RN em exportações, se espera uma queda de pelo menos 10%. Os dados do primeiro trimestre indicam uma queda expressiva, que em muito se deve ao efeito da queda do PIB dos nossos principais parceiros comerciais, mas acreditamos que haverá alguma recuperação.

Agora – Há outros impactos à vista?

JV – Além desse impacto da redução da atividade econômica, que não impacta só as exportações, que afeta de maneira importante todos os mercados, também se pode esperar uma postura mais cautelosa dos consumidores, que reduzirão seus gastos, inclusive dos alimentos, afetando as receitas da atividade agropecuária.

Agora – Uma das bases importantes do trabalho da Federação da Agricultura está apoiada sobre a assistência técnica ao homem do campo. Em que medida essa atividade foi prejudicada pela pandemia?

JV – A assistência técnica prestada pelo Senar do RN (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) valoriza muito a atividade presencial, as visitas técnicas às propriedades, de maneira frequente e continuada, como demandam os produtores. Com o distanciamento social esse tipo de atividade ficou prejudicada, mas não poderíamos correr riscos de levar o Covid-19 para o homem do campo, que em face das condições em que vive já tem uma rotina de isolamento.

Agora – Qual foi a alternativa de trabalho então?

JV – Fizemos um esforço para suprir os atendimentos demandados, utilizando outros mecanismos, como as chamadas por WhatsApp e outras formas capazes de atender às necessidades mais prementes dos agricultores. Além disso, todo o Sistema S deu sua contribuição para a economia neste período de pandemia, reduzindo suas receitas em 50%, conforme estabelecido em MP aprovada pelo Congresso Nacional, o que reduziu nossas disponibilidades de recursos para as atividades de assistência técnica no período, limitando nossa atuação nessa área.

Agora – O senhor teme que os planos de exportação de melão para China, resultado de quase nove anos de trabalho, fiquem inviabilizados por conta do Covid 19.

JV – Como já mencionei, as exportações foram impactadas pela pandemia. A OMC (Organização Mundial do Comércio) divulgou estimativas de que a redução do comércio internacional poderia ser de no mínimo 10% e chegar a mais de 30%. O comércio do Brasil com várias regiões do planeta caiu. No entanto, os níveis do comércio internacional do agronegócio brasileiro com a Ásia cresceram, inclusive com a China. Em abril as exportações de soja e seus derivados, além da carne (bovina e suína), por exemplo, bateram recordes. Dessa forma, não acredito que as exportações de melão serão inviabilizadas. Pelo contrário, as informações que disponho dão conta de que os contratos celebrados serão mantidos e inclusive, a Agrícola Famosa, por exemplo, se prepara para manter suas exportações para a China.

Agora – O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, o Senar, braço educacional da Federação que o senhor representa, tem tido seus projetos no RN prejudicados em que grau pela pandemia?

JV – Apesar de há algum tempo termos retomado nossas atividades, ainda que nos novos moldes estabelecidos pelo Decreto Estadual e pelas normas estabelecidas pelo Sistema, houve impacto. Temos uma atuação muito forte em termos de capacitação e formação de pessoal no campo, além da assistência técnica gerencial. Essas atividades com o homem do campo são sempre melhor realizadas de forma presencial, o que é praticamente impossível neste momento. Mesmo assim, temos tentando nos superar e contribuir para que possamos retomar as atividades o mais rápido possível. Neste sentido, atuamos junto aos segmentos da Fruticultura e Carcinicultura na elaboração dos Protocolos de Retomada das Atividades, os quais foram submetidos às autoridades sanitárias do estado. Produzimos cartilhas de orientações e estamos distribuindo máscaras e álcool para o setor. Estamos engajados nas atividades de prevenção e de ações para minimizar os impactos do covid-19 e atuando firmemente na construção de soluções.

Agora – Quais orientações a Confederação Nacional da Agricultura tem passado a suas Federações no Nordeste?

JV – A CNA expediu orientações gerais de grande interesse para os produtores rurais e para alguns setores específicos, como os frigoríficos, sobre os procedimentos relacionados à pandemia. Também trabalhou no desenvolvimento de ferramentas como uma plataforma de e-commerce, ligando os produtores rurais aos compradores. Nós tratamos de fazer uma leitura dessas contribuições à luz das nossas maiores necessidades, dando apoio concreto aos diferentes setores com a fruticultura e a carcinicultura, por exemplo, orientando a retomada das atividades. Também temos participado ativamente em fóruns colegiados do Estado, contribuindo firmemente para que a retomada das atividades econômicas ocorra de forma segura e responsável.

Agora – Em poucas palavras, o que o senhor diria aos produtores rurais do estado neste momento tão delicado?

JV – O agronegócio tem a grande virtude de se manter firme, mesmo em meio às dificuldades, com as que são impostas pela pandemia. O mais importante é que os produtores rurais sigam ativos, aproveitando as oportunidades que todas as crises apresentam para inovar, aumentar a eficiência do seu negócio, enfim melhorar o desempenho das suas atividades. Neste momento é possível aprender coisas novas, como incorporar uma série de ferramentas da tecnologia da informação na rotina de nossas atividades diárias. Incorporando inovações será possível melhorar os procedimentos gerenciais dos nossos negócios e, é isso que devemos fazer. Minha mensagem é de esperança para todos os produtores rurais do nosso estado, de que conseguiremos nos recuperar dessa pandemia.

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