Não é apenas o tempo dedicado à prática de atividades físicas que influencia a saúde. Uma pesquisa conduzida pela Universidade Harvard e publicada na revista científica BMJ Medicine revelou que pessoas que mantêm uma rotina diversificada de exercícios apresentam menor risco de morte precoce. Segundo o estudo, a combinação de diferentes atividades, como caminhada, musculação, ciclismo, dança, jardinagem e outras formas de movimento, pode reduzir esse risco em até 19%, independentemente do volume total de exercício realizado.
A conclusão reforça um alerta recorrente de especialistas em saúde pública: o sedentarismo continua entre os principais fatores associados ao adoecimento e à mortalidade em todo o mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a falta de atividade física está relacionada a aproximadamente 5 milhões de mortes por ano.

Os resultados do estudo indicam que a manutenção da autonomia física ao longo da vida depende menos de intervenções médicas tardias e mais dos hábitos construídos diariamente. Pequenas escolhas feitas de forma contínua, como caminhar mais, subir escadas ou realizar tarefas domésticas ativamente, podem influenciar diretamente a qualidade de vida e a independência durante o envelhecimento.
Enquanto a ciência reforça os benefícios do movimento, os indicadores de saúde mostram o crescimento de problemas associados à inatividade física. Dados do Ministério da Saúde apontam que, entre 2006 e 2024, o número de brasileiros adultos diagnosticados com diabetes aumentou 135%. No mesmo período, os casos de hipertensão cresceram 31%, enquanto a obesidade mais do que dobrou.
Especialistas explicam que essas doenças estão diretamente ligadas ao funcionamento do organismo diante de longos períodos de inatividade. Sem movimento suficiente, o corpo passa a apresentar menor eficiência no controle da glicose, aumento da resistência à insulina e maior dificuldade para metabolizar gorduras.
Como consequência, glicose e lipídios permanecem mais tempo circulando no sangue, favorecendo o endurecimento das artérias e elevando o risco de doenças cardiovasculares.
“O sedentarismo é hoje um dos principais fatores de risco porque favorece o surgimento de outras condições, como obesidade, colesterol elevado e diabetes”, afirma o médico do esporte Paulo Zogaib, do Hospital Sírio-Libanês.
Segundo o especialista, considera-se sedentária a pessoa cujo gasto energético semanal com atividades físicas não ultrapassa mil calorias.
Os impactos da falta de atividade física não se restringem ao ganho de peso ou às alterações metabólicas.
Estudos citados por especialistas indicam que a inatividade interfere também em processos biológicos relacionados à renovação celular. Sem estímulos físicos frequentes, o organismo tende a manter células disfuncionais por mais tempo, situação que pode contribuir para o desenvolvimento de doenças graves, incluindo alguns tipos de câncer.
A recomendação internacional estabelece pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada.