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Saúde

Sedentarismo e excesso de telas elevam casos de hérnia de disco entre jovens

Aldeize Gortner aponta sedentarismo, fraqueza muscular, sobrepeso e má postura como principais fatores de risco e alerta para aumento de casos entre jovens
Por O Correio de Hoje
23/06/2026 | 13:38

A hérnia de disco pode ser tratada sem cirurgia na maioria dos casos e está relacionada a fatores como sedentarismo, fraqueza muscular e hábitos posturais inadequados. A avaliação é da fisioterapeuta Aldeize Gortner, em entrevista ao programa Entrevista Coletiva, da Band RN. Segundo ela, apenas uma pequena parcela dos pacientes precisa de intervenção cirúrgica.

Ao explicar a estrutura da coluna, Aldeize detalhou o funcionamento dos discos intervertebrais.

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Fisioterapeuta Aldeize Gortner: maioria dos casos de hérnia de disco é tratada sem cirurgia - Foto: reprodução

“Nós temos 24 vértebras na nossa coluna que são móveis, vértebras que se movem, que se movimentam. Entre uma vértebra e outra, tem um disco que funciona como se fosse um amortecedor.”

“Entre uma vértebra e outra, nós temos o disco, que é uma geleia. E ele é sustentado por um anel fibroso. Quando esse anel fibroso sofre uma fragilidade, ele vaza.”

Quando isso ocorre, pode haver compressão de estruturas nervosas.

“Em certos casos, ele chega a comprimir estruturas nervosas. Por exemplo, na coluna lombar, muitas vezes ele comprime o nervo ciático. Por isso que muitas pessoas sofrem com aquela dor nas costas, que desce para a perna, glúteo, perna, até chegar na altura do pé.”

Ela também citou sintomas mais graves.

“Em muitos casos, as pessoas reclamam de falta de sensibilidade, formigamento, perda de força. Em alguns casos mais graves, incontinência urinária, incontinência fecal.”

A fisioterapeuta explicou quando a dor deixa de ser considerada comum.

“Quando essa dor persiste, quando ela vem acompanhada de alguns sintomas, como formigamento no membro que estiver comprometido, falta de força, será necessário uma boa avaliação.”

A especialista afirmou que a cirurgia não é a regra.

“Apenas 5% dos casos de hérnia de disco são casos cirúrgicos. 5% é quando você tem um comprometimento nervoso, uma perda de força, ou uma perda de massa muscular, ou algum outro comprometimento neurológico. Mas 95% dos casos de hérnia de disco nós resolvemos com tratamento conservador, com fisioterapia, com medicamento, muitas vezes com acupuntura para ajudar.”

Sobre a indicação do tratamento, ela afirmou:

“O tratamento conservador é sempre a primeira escolha. A última opção é uma cirurgia. A cirurgia realmente é só em caso de disfunções neurológicas.”

Entre os fatores associados ao aumento de casos, ela citou hábitos do cotidiano.

“Primeiro, sedentarismo, fraqueza muscular, sobrepeso, passar muito tempo sentado na mesma posição, exercícios mal orientados. Nós recebemos muitos pacientes que fazem exercícios mal feitos, sem uma orientação correta, que se machucam na academia e desenvolvem uma hérnia de disco. E o hereditário vem em último lugar.”

Ela também destacou o aumento de casos entre jovens.

“Antes, o paciente de hérnia de disco era faixa etária a partir de 35 anos. Hoje em dia, nós recebemos pacientes de 16, 17 anos já com hérnia de disco. Principalmente por causa do mau uso de telefone, como celular, tablets e passar muito tempo na frente de uma tela.”

Aldieze reforçou medidas preventivas.

“Sempre prestar atenção em uma boa postura, fortalecimento muscular do corpo inteiro, não passar muito tempo sentado, fazer movimentos corretos, não levantar peso sem prestar atenção na postura.”

Ela também alertou para os riscos na fase de crescimento.

“Toda criança já deve ser orientada a ter uma boa postura.”