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Saúde Pública

El Niño acende alerta para dengue no RN

Estado soma 9,2 mil notificações de dengue, 1.948 casos confirmados e um óbito; Ministério da Saúde orienta estados a ampliar vigilância diante dos efeitos das mudanças climáticas
Por O Correio de Hoje
28/07/2026 | 13:38

Depois de iniciar 2026 com redução dos casos de dengue em relação ao ano anterior, o Rio Grande do Norte voltou a registrar crescimento das notificações a partir de maio, impulsionado pelo período chuvoso. Até a 28ª Semana Epidemiológica, encerrada em 18 de julho, o Estado contabilizou 9.200 notificações da doença, das quais 1.948 foram confirmadas, além de um óbito.

O cenário ocorre ao mesmo tempo em que o Ministério da Saúde emitiu um alerta aos estados sobre a possibilidade de aumento das arboviroses no segundo semestre, em razão dos efeitos do El Niño e das mudanças climáticas.

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Recipientes com água parada continuam sendo os principais criadouros do Aedes aegypti, alerta Saúde - Foto: josé aldenir

Segundo o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, o aumento observado no estado não ocorre de forma uniforme, mas está concentrado em algumas regiões e municípios.

“Esse acréscimo é mais pontual, é mais regional. A gente tem aqui a região de Pedra Preta, Guamaré, Jucurutu, Serra Negra, essa região relativa de Antônio Martins, Serrinha dos Pintos e Martins e, principalmente, Tibau e Mossoró. Mossoró, pelo tamanho que tem, pela população, a segunda maior população do Estado, é quem tem puxado os casos para cima.”

O secretário acrescentou que há registros da doença em todo o Rio Grande do Norte, mas o comportamento epidemiológico desses municípios acaba elevando o total estadual.

“Tem acontecido casos no Rio Grande do Norte inteiro, mas essa circunstância acaba elevando os casos que a gente tem hoje.”

O alerta do Ministério da Saúde considera que o avanço do El Niño pode favorecer o aumento da circulação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, provocando alterações na circulação dos ventos e no regime de chuvas. Em algumas regiões, as precipitações tendem a aumentar; em outras, predominam temperaturas mais elevadas ou períodos de estiagem.

Para Alexandre Motta, o impacto das mudanças climáticas cria condições favoráveis para a proliferação do mosquito.

“Em um lugar onde está muito quente e chove mais, e choveu mais, você vai ter uma eclosão maior de casos. Devemos evitar o acúmulo de águas para que isso não vire reservatório de proliferação do mosquito.”

Diante da perspectiva de aumento dos casos, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) informou que pretende intensificar as ações de monitoramento e vigilância em parceria com os municípios. O secretário destacou que o enfrentamento depende da atuação integrada entre estado e gestões municipais.

“A preocupação é sempre dar uma atenção maior à vigilância junto com as secretarias municipais. O Estado não vai estar presente em todos os municípios. Quem vai estar é a própria gestão municipal.”

Ele ressaltou que as alterações provocadas pelo El Niño exigem atenção permanente.

“É preciso criar essa interligação. Lembrar que o El Niño, essa mudança climática, está fazendo com que aumente chuvas em alguns lugares e aumente a temperatura em outros. E em alguns casos até as duas coisas ao mesmo tempo.”

Segundo Alexandre Motta, essa combinação pode favorecer o aparecimento da doença em localidades que normalmente não apresentam aumento de casos.

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Secretário de Saúde Alexandre Motta fala sobre alta de casos de dengue – Foto: jos´´e aldenir

“É ficar atento porque isso pode gerar um aumento de casos em lugares onde não teria, se porventura não tivesse chovendo nem quente naquela condição.”

Além das medidas adotadas pelo poder público, a Sesap reforça que a eliminação de criadouros do mosquito continua sendo a principal estratégia para reduzir a transmissão. Evitar recipientes com água parada, manter caixas d’água fechadas, limpar calhas e descartar corretamente materiais que possam acumular água são medidas consideradas essenciais para interromper o ciclo de reprodução do Aedes aegypti.

Sintomas

O secretário também orientou a população a procurar atendimento médico diante dos primeiros sinais da doença e explicou como identificar os sintomas mais comuns da dengue.

“Como é que as pessoas adoecem e o que elas sentem? O primeiro sintoma que ela vai sentir é dor no corpo. E veja, é diferente da chikungunya, que a chikungunya dá dor na junta.”

Segundo ele, a dor provocada pela dengue atinge principalmente a musculatura.

“A dor é na carne. O indivíduo diz assim: ‘Parece que fui atropelado, parece que apanhei, parece que sofri uma agressão’. Porque, de fato, o corpo dói muito.”

Além da dor intensa no corpo, os pacientes costumam apresentar febre, dor de cabeça e dor atrás dos olhos nos primeiros dias da infecção.

“É muita dor no corpo, dor nos olhos, os olhos doem bastante e febre e dor de cabeça. Isso nos três primeiros dias. A partir do terceiro dia surgem as manchas vermelhas no corpo.”

Ele explicou que o comportamento das manchas ajuda a diferenciar a dengue da zika.

“A pessoa fica toda pintada e, a partir do sexto dia, é que ela começa a coçar. Diferente, por exemplo, da zika, que aparecem as manchas e imediatamente coça. Essa é uma das grandes diferenças do caso da zika para a dengue.”

Ao identificar os sintomas, a recomendação é buscar atendimento na unidade de saúde mais próxima e manter hidratação adequada.

“Procure o posto de saúde e hidrate-se bem.”