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Abril Azul

Autismo expõe desafios de inclusão social

Campanha destaca importância do diagnóstico precoce, combate ao preconceito e mobiliza ações em Natal
Por O Correio de Hoje
10/04/2026 | 13:56

O mês de abril marca a campanha Abril Azul, instituída pela Organização das Nações Unidas com o objetivo de conscientizar a população sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), ampliar o conhecimento sobre o tema e incentivar a inclusão. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 70 milhões de pessoas são autistas no mundo.

A campanha busca envolver a comunidade, dar visibilidade ao tema e estimular uma sociedade mais consciente e menos preconceituosa. O TEA é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por desenvolvimento atípico, manifestações comportamentais, déficit na comunicação e na interação social, além de padrões de comportamento repetitivos e estereotipados. Não há evidência científica de uma causa única para o autismo, sendo resultado da interação entre fatores genéticos e ambientais.

Autismo CNJ
Abril Azul reforça conscientização sobre autismo e inclusão - Foto: Reprodução

De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-11), o TEA também pode apresentar subdivisões relacionadas à presença ou não de deficiência intelectual e comprometimento da linguagem. O símbolo do autismo passou a ser o infinito colorido, representando a neurodiversidade e as diferentes formas de expressão dentro do espectro.

No contexto da campanha, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) reforçou a importância de ampliar o debate sobre o tema. A cor azul, associada à campanha, está relacionada à sensação de calma e equilíbrio, podendo auxiliar em situações de sobrecarga sensorial.

Durante participação em programa da InterTV nesta sexta-feira 10, a psicóloga Clara Carvalho destacou a importância da informação para a inclusão. “Informação, respeito e inclusão. Porque entender o autismo é o primeiro passo pra gente construir um mundo mais acessível para todos”, afirmou.

Clara Carvalho, que também é mãe de uma criança autista, ressaltou que a vivência pessoal transformou sua compreensão sobre o tema. “Eu costumo dizer que esses dois lugares me transformaram enquanto pessoa e mudaram completamente a forma como eu vejo o autismo. Porque quando a gente vive na prática, não é só sobre teoria”, disse.

Segundo ela, o autismo vai além de definições técnicas. “O autismo é muito mais do que um conceito. Lógico que existe um conceito, existem critérios pra gente diagnosticar e que a gente precisa ter muita responsabilidade na hora de fazer um diagnóstico porque a gente está ali lidando com a história de uma pessoa. Mas o autismo vai muito além disso, ele não é só um conceito, ele é vida, ele é um jeito de existir, ele é humanidade”, declarou.

A psicóloga também destacou a necessidade de inclusão social e de convivência com as diferenças. “No mundo nós temos cerca de 70 milhões de pessoas com diagnóstico de transtorno de espectro autista. No Brasil, no último censo, que foi feito em 2022, são 2,4 milhões, ou seja, 1,2% da população. Isso levando em consideração que ainda existe muito subdiagnóstico no país”, afirmou. “A gente vai precisar aprender a conviver com o diferente, porque essas pessoas estão no mundo”, completou.

Ela apontou ainda que o avanço nos critérios diagnósticos contribuiu para melhorar o acompanhamento. “Hoje os critérios diagnósticos para o autismo já estão bem mais claros do que foram no passado e com o avanço dos critérios diagnósticos a gente consegue também compreender melhor as dificuldades e saber como agir”, disse. “Hoje a gente tem as diversas áreas da saúde, não apenas a psicologia, mas temos a fonoaudiologia, a terapia ocupacional, a própria psiquiatria também, já sabendo como lidar melhor com essas pessoas”, acrescentou.

Relatos de familiares destacaram desafios enfrentados no cotidiano. A psicóloga comentou sobre o impacto do julgamento social. “Infelizmente ainda existe muita gente que não sabe lidar com isso, que julga, que diz que são os pais que são permissivos. E isso dói, sabe? Dói muito nas famílias”, afirmou.

Sobre o futuro de pessoas autistas, especialmente na vida adulta, Clara ressaltou a importância do planejamento. “A gente precisa falar sobre esse momento, porque ele vai chegar. O momento que a gente vai embora, os nossos filhos vão ficar”, disse. “A dica que eu te dou para diminuir a sua dor é conversar com alguém sobre isso. Tem que planejar”, completou.

Ela também destacou a necessidade de apoio às famílias e cuidadores. “Por isso que eu defendo tanto também o apoio, o suporte aos pais, mães e os cuidadores das crianças atípicas”, afirmou.

A campanha Abril Azul segue ao longo do mês com ações de conscientização, reforçando a importância do diagnóstico precoce, do acesso ao tratamento e da construção de uma sociedade mais inclusiva.

Caminhada em Natal

A 11ª edição da Caminhada do Autismo de Natal será realizada neste domingo 12, com concentração a partir das 15h, na Praça das Flores, no bairro de Petrópolis. A mobilização, que conta com o apoio da Prefeitura do Natal, reunirá famílias e pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) em uma ação voltada à conscientização.

O cortejo está previsto para começar às 16h30, seguindo pela Avenida Afonso Pena, com passagem pela Rua Trairi e encerramento na Praça Cívica. No local, os participantes terão acesso a uma programação com brinquedos, feirinha de artesanato, exposição de veículos das forças de segurança e apresentações culturais.

Durante a concentração, uma equipe da Secretaria Municipal da Igualdade Racial, Direitos Humanos, Diversidade, Pessoas Idosas e Pessoas com Deficiência (Semidh) realizará a emissão de novas CIPTEAs — carteiras de identificação da pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Até o momento, já foram emitidas mais de 3.100 unidades.

De acordo com a secretária da Semidh, Luciana Oliveira, a iniciativa tem como objetivo ampliar o alcance da pauta e estimular o engajamento.