A campanha de vacinação contra a Influenza entra na reta final no Rio Grande do Norte em meio ao aumento de casos e mortes provocados pela doença. Dados da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) mostram que o RN já registrou 372 casos confirmados e 13 óbitos por Influenza em 2026. Além disso, o Estado registrou 1 morte por Rinovírus, 4 por Covid-19 e 4 por Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Diante do cenário, a Secretaria promove neste sábado 30 o segundo Dia D de mobilização para ampliar a cobertura vacinal entre os grupos prioritários.
A preocupação das autoridades de saúde se concentra principalmente nos idosos. Aproximadamente metade das mortes registradas neste ano ocorreu nesse grupo, que apresenta cobertura vacinal de apenas 39,84%, segundo dados do Sistema RN + Vacina na manhã desta sexta-feira 29. A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é alcançar 90% de imunização entre os públicos prioritários, mas atualmente apenas 39,34% receberam a vacina. O estado tem um público-alvo estimado em 1,4 milhão de pessoas, sendo pouco mais de 800 mil pertencentes aos grupos prioritários da campanha.

Segundo o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, os índices ainda estão abaixo do desejado, embora apresentem evolução em relação aos anos anteriores. “A gente precisa chegar a um ponto que seja satisfatório para os grupos de risco e tirar o risco desse grupo de risco, a gente precisaria ter uma cobertura de 90%. Quando você compara com o ano passado e com dois anos atrás, os índices são progressivos de aumento, então isso é muito positivo”, afirmou, em entrevista à TV Ponta Negra.
A influenza, popularmente conhecida como gripe, continua sendo uma das principais causas de hospitalizações e mortes por doenças respiratórias no Brasil, especialmente entre idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com doenças crônicas. Embora muitas vezes seja encarada como uma enfermidade de baixa gravidade, a infecção pode evoluir para complicações severas, como pneumonia e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), principalmente em pacientes mais vulneráveis.
Os sintomas costumam surgir de forma repentina e incluem febre, dores musculares, dor de cabeça, mal-estar, cansaço e tosse seca. Também podem ocorrer dor de garganta, coriza e congestão nasal. Especialistas lembram que gripe e influenza são a mesma doença, já que influenza é o nome do vírus causador da infecção.
Uma das dúvidas mais comuns envolve a diferença entre gripe, resfriado e Covid-19. Enquanto a gripe geralmente se manifesta de maneira abrupta, com febre alta e dores intensas no corpo, o resfriado costuma apresentar sintomas mais leves e concentrados no nariz e na garganta. Já a Covid-19 pode apresentar características semelhantes às duas doenças, variando conforme a cepa em circulação.
Entre os sinais que exigem atenção médica estão a falta de ar e o retorno da febre após uma aparente melhora. Segundo especialistas, esses sintomas podem indicar o desenvolvimento de complicações secundárias, como pneumonia ou outras infecções, exigindo avaliação médica imediata. Pessoas com doenças respiratórias, como asma e outras pneumopatias, também apresentam maior risco de agravamento.
O tratamento da gripe é baseado principalmente em medidas de suporte. A infectologista Giovanna Marssola, do Hospital Samaritano Higienópolis, explica que não existe um medicamento capaz de curar a influenza. “O que funciona é um conjunto de medidas”, afirma. Entre as recomendações estão hidratação adequada, repouso e lavagem nasal com soro fisiológico. Medicamentos para controle da febre e das dores podem ser utilizados sob orientação médica, enquanto antibióticos não são indicados para tratar a gripe.
A vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra casos graves. No SUS, a vacina disponibilizada é do tipo trivalente, com proteção contra os subtipos H1N1 e H3N2 da influenza A, além de uma linhagem da influenza B. Especialistas reforçam que a imunização é especialmente importante para idosos, gestantes, puérperas, crianças, profissionais da saúde, trabalhadores da segurança pública, indígenas e quilombolas.
Durante o Dia D deste sábado 30, as doses estarão disponíveis em todas as unidades de saúde participantes da campanha nos municípios potiguares. Após o encerramento da etapa prioritária, a vacinação contra a influenza será ampliada para toda a população a partir de 1º de junho.