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Tráfico

Facções expulsam moradores e transformam condomínios do Minha Casa, Minha Vida em bases do tráfico em Parnamirim

Investigações da Polícia Civil apontam que criminosos ocupam apartamentos, armazenam drogas, impõem regras próprias e intimidam famílias nos conjuntos habitacionais
Redação
16/07/2026 | 14:19

Condomínios populares construídos por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, em Parnamirim, na Grande Natal, têm sido utilizados por facções criminosas como bases para o tráfico de drogas. Segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Norte, integrantes de organizações criminosas expulsam moradores, ocupam apartamentos e transformam os imóveis em pontos de armazenamento de entorpecentes, impondo regras próprias e intimidando famílias.

As informações foram confirmadas pelo delegado Filipe Câmara, titular da 17ª Delegacia de Polícia (DP) de Parnamirim, responsável pelas investigações que resultaram na Operação Senso Seguro. Durante a ação, equipes da Polícia Civil cumpriram mandados, apreenderam drogas e identificaram imóveis utilizados como apoio às atividades criminosas dentro dos condomínios.

condominio
Condomínios populares de Parnamirim são alvo de investigações da Polícia Civil por suposta atuação de facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas Foto: Reprodução/TV Tropical

De acordo com o delegado, os conjuntos habitacionais se tornaram um dos principais desafios para o combate ao tráfico na cidade.

“Existem vários condomínios populares, condomínios verticais, adquiridos por população de baixa renda por meio de programas do governo. Hoje, esses condomínios estão totalmente tomados pelo tráfico de drogas. Os integrantes das organizações criminosas invadem apartamentos, expulsam os moradores legítimos e passam a morar nesses imóveis. Para todos os efeitos, eles são invisíveis para o próprio condomínio e para a população”, afirmou.

Segundo as investigações, a atuação das facções vai além da venda de drogas. Os criminosos também intimidam moradores, pressionam administradores e impõem regras próprias dentro dos residenciais.

Em entrevista à TV Tropical, um morador relatou que criminosos chegam a tomar apartamentos dos proprietários e passam a controlar a rotina dos condomínios.

“Eles vêm se apoderando dos condomínios. Muitos alugam apartamentos e, quando conseguem entrar, tomam os imóveis dos proprietários. A partir daí, implantam um regimento interno paralelo e passam a impor regras aos moradores. A gente se sente refém desse tipo de situação”, disse.

O medo também faz parte da rotina das famílias que permanecem nos residenciais. Há relatos de moradores que deixaram seus apartamentos para preservar a própria vida após sofrerem ameaças.

Outro morador afirmou que a maior preocupação é o aliciamento de crianças e adolescentes pelo tráfico.

“O maior medo hoje é pelos nossos filhos. Eles convivem diariamente com esse ambiente, acabam sendo induzidos ao uso de drogas e depois ficam reféns do tráfico. Muitas vezes sobra para os pais resolverem a situação.”

Apartamentos viram depósitos de drogas

Segundo o delegado Filipe Câmara, muitos dos apartamentos ocupados pelas facções deixam de servir como moradia e passam a funcionar exclusivamente como depósitos de drogas e pontos de apoio para a atividade criminosa.

“Essas pessoas não estão cadastradas oficialmente no condomínio, porque ocuparam os apartamentos expulsando os moradores. Temos dificuldade para identificá-las justamente por isso. A droga geralmente fica armazenada em apartamentos abandonados, e existe uma cadeia de comunicação entre os integrantes da organização criminosa.”

O delegado ressaltou que denúncias anônimas são fundamentais para localizar esses imóveis e desarticular a atuação das facções.

“A população pode denunciar pelo Disque Denúncia 181. Não é preciso se identificar. Informações sobre apartamentos com movimentação suspeita ajudam diretamente nas investigações, e o anonimato é garantido.”

As investigações seguem em andamento para identificar todos os integrantes das organizações criminosas que atuam nos condomínios populares de Parnamirim e devolver segurança aos moradores.