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Eleições 2026

Renan Santos estreia de colete no Largo São Francisco e promete “devastar” facções

Candidato do Missão discursou por cerca de uma hora diante de público majoritariamente jovem, disse ter recebido ameaças e encerrou o ato tocando o jingle de campanha ao violão e gaita
Agora RN
18/08/2026 | 17:40

O candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, iniciou oficialmente sua campanha neste domingo 16 com um ato no Largo São Francisco, no centro de São Paulo. Diante de um público formado majoritariamente por jovens, discursou por aproximadamente uma hora usando colete à prova de balas, colocou o combate ao crime organizado no centro da fala e dirigiu críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), líderes da disputa nas pesquisas.

O candidato afirmou ter recebido ameaças. Ele não foi o único a discursar protegido: no mesmo dia, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado (PSD) também usaram coletes em seus atos de estreia — três dos cinco principais concorrentes.

Renan Santos discursa de colete à prova de balas em ato de campanha no Largo São Francisco, em São Paulo
Candidato do Missão à Presidência, Renan Santos discursou por cerca de uma hora no centro de São Paulo, no primeiro dia oficial de campanha — Foto: Alexandre Sampaio/Missão

O discurso

Renan prometeu priorizar o enfrentamento às organizações criminosas em linguagem de confronto direto.

“Já imaginaram o primeiro voo no avião presidencial, em que nós iremos às primeiras cidades tomadas pelo crime organizado, e com as forças policiais, já no dia 6 de janeiro nós vamos devastar os primeiros inimigos, nós vamos tingir o chão de vermelho com o sangue desses vagabundos”, declarou. Depois da fala, apoiadores entoaram “prendeu, matou”, slogan adotado pela campanha.

O tom é coerente com o posicionamento que ele vinha construindo desde a pré-campanha, quando afirmou querer ser o “Milei brasileiro” — referência ao presidente argentino Javier Milei e ao modelo de candidatura antissistema.

Ao abordar política externa, o candidato citou as reservas brasileiras de terras raras e afirmou que, em eventual governo, o País “vai negociar como alguém que vai se fortalecer e fazer troca de tecnologia com os agentes externos”. Também demonstrou expectativa de avançar ao segundo turno contra Lula, dizendo acreditar que poderá superá-lo nas pesquisas dessa etapa e derrotá-lo nos debates e nas urnas.

O evento foi realizado em frente à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde Renan estudou sem concluir o curso. O ato terminou com uma apresentação inspirada no cantor norte-americano Bob Dylan: de óculos escuros, o candidato interpretou o jingle de campanha tocando violão e gaita com o auxílio de um suporte bucal.

Quem subiu ao palco

Participaram do evento o candidato a vice-presidente, Aroldo Medina, o deputado federal Kim Kataguiri, que tenta a reeleição, a vereadora paulistana Amanda Vettorazzo e o ex-deputado estadual Arthur do Val.

Conhecido como Mamãe Falei, Do Val teve o mandato cassado pela Assembleia Legislativa de São Paulo em 2022, após o vazamento de áudios sexistas gravados durante uma viagem à Ucrânia, e perdeu os direitos políticos por oito anos — período que se estende até 2030 e o impede de concorrer nestas eleições.

A realização do ato havia sido contestada por estudantes da USP. Em 13 de agosto, representantes da União da Juventude Socialista, da União Estadual dos Estudantes e de sindicatos de petroleiros e jornalistas participaram de um protesto contra o evento em frente à faculdade. A estreia foi noticiada originalmente por O Correio de Hoje, em reportagem sobre o primeiro ato de campanha do candidato do Missão.