O vazamento de conversas entre o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) intensificou a pressão sobre a oposição para aprovar uma anistia limitada aos condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, sem incluir o ex-chefe do Executivo. O episódio evidencia o dilema do PL entre manter o apoio à anistia pró-Bolsonaro ou acompanhar as negociações do centrão por um texto restrito.
Segundo relatório da Polícia Federal, Eduardo Bolsonaro, atualmente nos Estados Unidos, afirmou em mensagem enviada em 7 de julho que, caso fosse aprovada uma “anistia light” limitada aos eventos de 8 de Janeiro, o governo de Donald Trump “não irá mais ajudar” Jair Bolsonaro.

Na mesma conversa, ele disse que o ex-presidente estaria sem amparo internacional e possivelmente condenado ao final de agosto, antes do julgamento da ação penal marcado para setembro.
As declarações reforçam a estratégia do centrão, que se mostra favorável a uma anistia restrita, mas contrário a incluir Bolsonaro no pacote. Líderes partidários avaliam que o PL ficará publicamente em posição delicada, com o risco de perder controle da pauta caso mantenha a defesa de uma anistia ampla.
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Um cacique partidário citou ainda a posição do presidente do STF, Roberto Barroso, que declarou: “Anistia antes do julgamento é uma impossibilidade”.
Integrantes do PL reconhecem que, internamente, a inclusão de Bolsonaro entre os beneficiados pela medida será voto vencido caso a proposta seja levada ao colégio de líderes ou ao plenário da Câmara. Publicamente, o partido mantém a defesa de uma anistia ampla, intensificada após a prisão domiciliar de Bolsonaro e a pressão pela chamada “paz” nos plenários da Câmara e do Senado.
Eduardo Bolsonaro continua pressionando o tema, alegando que é a única saída frente às sanções dos Estados Unidos e criticando aliados que tentam negociar com Washington.