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Justiça

PGR pede fim de inquérito contra Girão por incitação a atos golpistas em porta de quartel

Deputado discursou em frente ao 16 RI e estimulou que manifestantes mantivessem ato que pedia intervenção militar
Por O Correio de Hoje
06/03/2026 | 13:50

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu o arquivamento de um inquérito contra o deputado federal General Girão (PL-RN) por suspeita de incitação dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) é o ministro Alexandre de Moraes, a quem caberá decidir se acata o pedido da PGR.

O inquérito contra Girão foi instaurado em julho de 2023. Segundo Gonet, as acusações de incitação ao crime já prescreveram. Quanto a possíveis práticas de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, a PGR sustenta não haver prova de adesão direta ou de auxílio material aos ataques contra as sedes dos Três Poderes.

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Deputado federal General Girão (PL-RN) - Foto: José Aldenir / O Correio de Hoje

Em 19 de dezembro de 2022, após ser diplomado pela Justiça Eleitoral para mais um mandato, General Girão visitou o acampamento que manifestantes bolsonaristas haviam instalado em frente ao 16º Batalhão de Infantaria Motorizado do Exército (16 RI), em Natal.

Usando um megafone, o deputado discursou em frente ao quartel e estimulou que os manifestantes mantivessem o ato — que, entre outras pautas, pedia uma intervenção das Forças Armadas contra a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Eu quero dizer para vocês que esta semana é a semana que estão começando as festividades de Natal. Sim ou não? Então, todo mundo aqui eu espero que tenha sido bom filho, bom pai, bom irmão, boa esposa. E aí botem o sapatinho na janela que Papai Noel vai chegar esta semana. Acreditem em Papai Noel. Ele pode até ser camuflado também. Mantenham o desejo de vocês sempre firmes. Vocês são patriotas, vocês estão fazendo uma manifestação pacífica, exatamente como manda a Constituição. Contra quem está dentro da Constituição não pode haver nenhuma força do Estado brasileiro”, destacou o deputado.

O deputado, que é general da reserva do Exército, fez também um ato de deferência às Forças Armadas durante o discurso. Ele registrou que chegou a servir no 16 RI como aspirante.

“Nós, militares, fomos formados para defendermos a Pátria. O Estado brasileiro entrega aos militares o direito de usar a violência em seu nome para a defesa do Estado brasileiro, para a defesa da democracia, para a defesa da soberania. E é o que eu tenho certeza de que as nossas Forças Armadas continuarão fazendo. Acreditem em Deus. Deus é brasileiro. O papa pode ser argentino, mas o papa é brasileiro”, acrescentou Girão.

O inquérito apurava essa conduta de Girão e também a disseminação de informações falsas sobre a legitimidade das urnas eletrônicas e do resultado das eleições de 2022.