A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) admitiu a possibilidade de deixar o partido e se filiar ao PT em 2027. Em entrevista publicada na segunda-feira 12, ela criticou decisões da legenda durante a campanha eleitoral, mas afirmou que ainda precisa conversar com a direção do PSOL e avançar no diálogo com os petistas.
“Sim, acho que mudaria de partido se necessário fosse”, afirmou à Folha de S.Paulo.

A parlamentar disse que já manteve contato com o PT. Uma eventual transferência, porém, dependerá das conversas sobre os próximos passos de sua atuação política. Até o momento, não há anúncio de mudança de legenda.
Erika questionou a distribuição de recursos eleitorais e a decisão do PSOL de não formar uma federação com o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na avaliação dela, candidaturas competitivas receberam apoio insuficiente, enquanto outras, com menor potencial de votação, tiveram financiamento elevado.
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A deputada citou a campanha de Sofia Favero, candidata a deputada estadual em São Paulo, como exemplo de financiamento que considerou insuficiente. Também defendeu que uma federação com o PT poderia ampliar a presença da esquerda nos estados e facilitar o cumprimento da cláusula de desempenho.
Reeleita com cerca de 1,5 milhão de votos, Erika foi a mulher mais votada para a Câmara dos Deputados e ficou em terceiro lugar na classificação geral. Apesar desse resultado, a federação PSOL-Rede não superou a cláusula de barreira, conforme levantamento citado na entrevista.
A regra estabelece requisitos para acesso ao Fundo Partidário e à propaganda partidária gratuita. Para a legislatura iniciada em 2027, é necessário alcançar pelo menos 2,5% dos votos válidos para deputado federal, distribuídos em nove estados, com mínimo de 1,5% em cada um deles, ou eleger ao menos 13 deputados federais em nove estados.
A Constituição assegura o mandato de quem foi eleito por partido que não atingiu os requisitos e permite a filiação a outra legenda que os tenha cumprido, sem perda do cargo.
Na entrevista, Erika também avaliou que a campanha de Lula poderia ter comunicado melhor os resultados do governo no primeiro turno. Ela defendeu maior presença do presidente nas redes sociais e contato direto com os eleitores.
Sobre o fim da escala 6×1, a parlamentar afirmou que a votação ainda neste ano oferece um cenário mais favorável à proposta. Em sua avaliação, deixar a discussão para 2027 aumentaria as dificuldades diante da nova composição do Congresso.