Carlos Eduardo Xavier, o Cadu de Lula, disputa o Governo do Rio Grande do Norte em sua primeira candidatura a um cargo eletivo. Aos 48 anos, o nome do PT chegou ao segundo turno depois de passar mais de duas décadas no serviço público e sete anos no comando da área tributária e financeira do Estado.
Nascido no Rio de Janeiro, Cadu vive no Rio Grande do Norte desde a infância. Formou-se em Engenharia de Computação e concluiu mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Antes de entrar na linha de frente da política partidária, construiu a carreira no Fisco. Ingressou como auditor fiscal do Tesouro Estadual em 2005. Na Secretaria de Tributação, trabalhou em áreas de fiscalização e ocupou funções técnicas e de coordenação.
Da carreira técnica ao primeiro escalão
Cadu assumiu a Secretaria Estadual de Tributação em janeiro de 2019, no início do primeiro governo de Fátima Bezerra. Passou a responder pela arrecadação própria do Estado, pela administração do ICMS e pelas negociações tributárias com setores da economia.
Em 2023, a reorganização administrativa uniu as estruturas de Tributação e Finanças na Secretaria de Estado da Fazenda. Cadu tornou-se o primeiro titular da nova pasta e passou a concentrar a gestão da arrecadação, do caixa e da política fiscal estadual.
Entre 2023 e 2025, presidiu o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz). No cargo, representou os estados em discussões nacionais sobre arrecadação, compensações por perdas de ICMS e regulamentação da reforma tributária.
Cadu também teve atuação sindical entre os auditores fiscais. Deixou a Secretaria da Fazenda no início de abril de 2026 para disputar o Governo do Estado. O auditor Álvaro Bezerra assumiu a pasta.
Participação na reforma tributária
A presidência do Comsefaz colocou Cadu no centro das negociações entre os governos estaduais, o Ministério da Fazenda e o Congresso durante a aprovação e a regulamentação da reforma tributária sobre o consumo.
O comitê trabalhou na construção de posições comuns entre estados com economias diferentes. Cadu participou de debates sobre o Imposto sobre Bens e Serviços, a transição entre os tributos atuais e o novo sistema, a divisão da arrecadação e a estrutura do comitê gestor que reunirá estados e municípios.
Ele defendeu o princípio do destino, pelo qual a arrecadação passa a acompanhar o local onde o produto ou serviço é consumido. O modelo tende a beneficiar estados consumidores e menos industrializados, caso do Rio Grande do Norte e de outras unidades do Norte e do Nordeste.
Candidato da continuidade
A candidatura de Cadu está diretamente ligada ao governo Fátima Bezerra e ao presidente Lula. O nome adotado na urna, “Cadu de Lula”, reforça essa vinculação política e foi autorizado pela Justiça Eleitoral.
O petista apresenta a experiência na Fazenda como principal credencial para governar. Afirma conhecer as limitações do orçamento e destaca a regularização dos salários, o crescimento da arrecadação e a redução relativa do peso da dívida durante o período em que integrou o primeiro escalão estadual.
Na comunicação eleitoral, Cadu buscou combinar o perfil técnico com a vinculação política a Lula e Fátima Bezerra. A campanha intensificou agendas no interior, encontros com setores produtivos e atos com lideranças nacionais do PT para tornar o candidato mais conhecido fora do ambiente administrativo.
Propostas apresentadas em 2026
O programa de Cadu defende elevar a participação da saúde no orçamento estadual, ampliar a telemedicina, criar centrais regionais de diagnóstico e fortalecer os hospitais do interior. Na educação, promete levar o ensino em tempo integral a todas as escolas estaduais e acrescentar R$ 50 ao benefício dos estudantes atendidos pelo Pé-de-Meia.
Para a segurança, propõe videomonitoramento nos 167 municípios, integração das forças policiais e continuidade de concursos e convocações de agentes. Na área fiscal, afirma que a despesa deve crescer, no máximo, o equivalente a 80% do aumento da receita.
O candidato diz que pretende ampliar a arrecadação pelo crescimento econômico, sem aumentar impostos. A viabilidade das propostas dependerá do orçamento, da situação fiscal encontrada em janeiro de 2027 e da aprovação de medidas pela Assembleia Legislativa.
O Agora RN reuniu lado a lado as propostas de Cadu e Allyson para as principais áreas da administração estadual.
Caminho até o segundo turno
Cadu começou a campanha atrás dos principais adversários nas pesquisas, mas cresceu na reta final e recebeu 718.300 votos no primeiro turno, equivalentes a 36,16% dos válidos. Ficou a 15.509 votos de Allyson Bezerra, que obteve 36,94%.
O candidato concorre pelo PT, com Larissa Rosado (PSB) como vice. A coligação Time Que Cuida reúne PDT, PSB e Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.
Esta é a primeira eleição disputada por Cadu. O candidato declarou à Justiça Eleitoral um único bem, no valor de R$ 100 mil. As informações patrimoniais são fornecidas pelo próprio concorrente.
Perfil de Cadu Xavier
- Nome completo: Carlos Eduardo Xavier
- Nome na urna: Cadu de Lula
- Idade: 48 anos
- Naturalidade: Rio de Janeiro (RJ)
- Partido e número: PT, 13
- Formação: engenheiro de computação e mestre em Engenharia de Produção
- Vice: Larissa Rosado (PSB)
- Principais funções: auditor fiscal, secretário estadual de Tributação e secretário estadual da Fazenda
- Votação no primeiro turno: 718.300 votos (36,16%)
- Patrimônio declarado: R$ 100 mil