Restando praticamente um ano para as eleições gerais de 2018, o cenário de candidaturas a nível estadual ainda é indefinido. Seja no pleito para deputado, senador ou governador, ainda há incógnitas em relação aos nomes que serão protagonistas na próxima disputa eleitoral.
Em meio à incerteza, imperam as articulações. Lideranças partidárias e demais peças do tabuleiro político potiguar se movimentam em busca de traçar os melhores cenários para o ano que vem.

Especificamente na disputa para o Senado, são várias as possibilidades e pré-candidatos cotados para o pleito. Entre nomes novos e figuras já carimbadas que ensaiam uma volta à política, há pelo menos meia dúzia de postulantes aos dois cargos que estarão em disputa no ano que vem.
Entre os pretendentes, um dos destaques vai para quem já ocupou o cargo e agora deseja voltar ao posto: Geraldo Melo (PMDB). Ex-senador e também ex-governador potiguar, o peemedebista de 82 anos encerrou seu mandato no Senado em 2003. De lá para cá, ele tentou retornar ao posto uma vez, em 2006, obtendo a terceira colocação.
Geraldo não esconde o desejo de se candidatar e já estuda inclusive qual será seu lema de campanha no pleito: quer ser o “senador da segurança”. Em entrevista recente ao Portal Agora RN/Agora Jornal, o pré-candidato defendeu mudanças na legislação concernente à área de segurança pública. Ele sustenta, por exemplo, debates em torno da redução da maioridade penal e do Estatuto do Desarmamento.
Com as duas propostas de alterações legislativas na área de segurança, Geraldo esboça um discurso conservador para 2018. Experiente, o peemedebista quer aproveitar que as tendências progressistas estão em declínio e ocupar os espaços vagos.
Se a experiência pode contribuir, a longa trajetória de anos na política pode também justamente atrapalhar o projeto do ex-senador. Ele considera, no entanto, que a “renovação” não precisa ser necessariamente de nomes, e sim de ideias. “Eu acho que é preciso haver renovação de métodos, projetos, estruturas e instituições. Pensar nisso é uma coisa que o Senado brasileiro terá que fazer”, afirma.
A ideia é compartilhada por outro pré-candidato a senador em 2018: Ney Lopes de Souza. Ex-deputado federal por cinco mandatos consecutivos e atualmente filiado ao PSD, o advogado e jornalista também é da “velha guarda”, tem 72 anos. Questionado sobre o fator “renovação”, tão discutido nos tempos atuais, Ney sugere que o debate seja outro. “Ao invés de novo e velho, acho melhor falar em ficha limpa e ficha suja. Em dever cumprido e não cumprido na política”, pontuou.
Em entrevistas, Ney Lopes tem confirmado que tem a pretensão de se candidatar ao Senado no ano que vem. Porém, destacou que só o fará se houver uma “coligação de partidos” que o apoiem. “Isso não depende de mim [ser candidato]. Terei que ter apoio de um ou mais partidos. E jamais irei vender minha alma ao Diabo para conseguir esses apoios”, assinala.
Um terceiro nome que pode despontar como “novidade” nas eleições de 2018 para o Senado Federal é o da deputada federal Zenaide Maia, atualmente no PR, mas cortejada pelo PMB, legenda à qual está filiado o seu marido, o ex-prefeito de São Gonçalo do Amarante Jaime Calado, também cotado para o pleito do ano que vem.
Dois principais elementos contam a favor de uma eventual candidatura de Zenaide. O primeiro deles é que dificilmente seu grupo político estimulará uma candidatura à reeleição para a Câmara Federal. Isso porque seu irmão, o ex-deputado João Maia (PR), se articula para voltar à cadeira que ocupava até 2014, quando foi candidato a vice-governador de Henrique Eduardo Alves (PMDB). A própria deputada teria admitido a interlocutores que “desocupará a vaga de seu irmão”, se candidatando a outro cargo.
Neste sentido, o Senado surge como principal destino de Zenaide. A principal razão é o vácuo existente no espectro político da esquerda, que não tem muitas possibilidades para 2018. Por causa de seu comportamento na Câmara – ela votou contra o impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff (PT) e tem se posicionado contra as medidas de austeridade do governo de Michel Temer (PMDB) –, a parlamentar tem se aproximado da senadora Fátima Bezerra e do PT e pode se transformar na principal alternativa deste grupo para o Senado. O próprio grupo político ligado à deputada tem falado na possibilidade de uma “frente democrática de partidos” que envolva, entre outras siglas, nomes do PT.
SENADORES TENTARÃO REELEIÇÃO
Em 2018, duas vagas para o Senado estarão em disputa, referentes ao encerramento dos mandatos de Garibaldi Alves Filho (PMDB) e José Agripino Maia (DEM).
Nos bastidores, os dois têm anunciado que tentarão renovar seus cargos por mais oito anos. No caso deles, além da estrutura dos mandatos, contam a favor de Garibaldi e Agripino, os dois ex-governadores do Rio Grande do Norte, a forte estrutura partidárias de ambos – o PMDB e o DEM são, atualmente, dois dos maiores partidos do país, e os senadores fazem parte da cúpula nacional – e também a experiência.
No caso deles, contudo, além do desgaste natural dos vários mandatos, outro fator pode prejudicá-los na eleição: possíveis impedimentos judiciais. Tanto Garibaldi quanto Agripino estão sob investigação por possível envolvimento no esquema desvelado com a operação Lava Jato. A depender do desenrolar das apurações judiciais, os dois podem ter seus projetos de candidatura atrapalhados em 2018.