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Natal

Natal libera R$ 27,7 milhões para semáforos inteligentes em 197 cruzamentos da capital

Sistema deve ajustar sozinho o tempo dos sinais conforme o fluxo e cortar em cerca de 20% a duração das viagens no horário de pico
Agora RN
10/09/2026 | 15:24

A Prefeitura do Natal separou R$ 27,7 milhões para alterar o modo como os semáforos da capital funcionam. O dinheiro entra na forma de crédito suplementar e tem destino certo: a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, a STTU. Vai bancar a modernização da rede semafórica, um processo que prevê intervenção em 197 cruzamentos e a adoção de tecnologia capaz de calibrar os sinais conforme o trânsito de cada momento.

A liberação foi publicada nesta quarta-feira 9, pelo Decreto nº 13.832, na edição de número 6.188 do Diário Oficial do Município. O valor exato é de R$ 27.756.024,94, todo carimbado para uma ação de nome comprido: “Semáforos Inteligentes para Priorização do Transporte Público Coletivo – Pro-Transporte”. O dinheiro tem origem numa operação de crédito e passa agora a fazer parte do orçamento da STTU.

Semáforo com sinal vermelho aceso em via urbana
Secretaria estima que a implantação da tecnologia poderá reduzir em 20% o tempo de viagem nos horários de pico — Agência Brasil

A modernização pretende alterar a forma como parte dos semáforos da cidade é controlada. Hoje os equipamentos trabalham com tempo programado de antemão: abrem e fecham no mesmo ritmo, tenha ou não carro esperando na fila. Isso muda: entram câmeras, entram sensores, entram equipamentos de controle, todos acompanhando o movimento nas vias, e cada cruzamento passa a poder se ajustar ao que estiver de fato acontecendo ali.

Dos 197 cruzamentos previstos no planejamento, 138 devem receber a tecnologia adaptativa, aquela capaz de modificar automaticamente os tempos de sinal conforme o fluxo de veículos. Os outros 59 vão ser ligados a uma central de monitoramento. A secretaria calcula que a implantação dessa tecnologia pode encurtar em cerca de 20% o tempo gasto nas viagens durante os horários de pico.

A mudança de maior alcance é justamente essa: fazer o semáforo se adaptar ao que se encontra na rua. Em lugar de repetir sempre o mesmo tempo de abertura, haja ou não fila de carro, o sistema poderá esticar ou encurtar os ciclos conforme o movimento. Na prática, a diferença aparece assim: uma avenida congestionada ganha mais tempo de verde, enquanto uma via de pouco movimento tem seu período encurtado. A ideia é justamente acabar com aquela cena em que o motorista fica parado no vermelho sem que ninguém passe pela via transversal.

Estão previstos, ainda, 483 pontos de coleta de informação por videodetecção. Esses equipamentos vão medir quantos veículos passam e alimentar o sistema com o dado de que ele precisa para funcionar. Entram também 398 botoeiras sonoras destinadas ao pedestre, com recursos voltados à acessibilidade. Outra possibilidade aberta é a das chamadas “ondas verdes”: a sincronização de cruzamentos diferentes, que permite ao motorista pegar um sinal aberto atrás do outro em determinados corredores. E há mais — a tecnologia poderá identificar situações específicas e abrir caminho para veículo de emergência, ambulância inclusive.

Vagner Araujo, que já ocupou a Secretaria de Planejamento de Natal, enxerga nesse movimento um passo da capital rumo ao conceito de cidade inteligente. A avaliação dele saiu em artigo publicado na coluna que assina no Agora RN, onde defende que o projeto vai além da simples troca de equipamento. Araujo explica que câmeras e sensores passarão a contar os veículos e a identificar o tamanho das filas em cada cruzamento. Caberá à inteligência artificial processar tudo isso e mexer na duração dos sinais conforme o que cada momento exigir. Se uma avenida estiver engarrafada, escreve ele na mesma coluna, o sistema segura o verde por mais tempo; se outra via estiver vazia, encurta a espera de quem está nela.

O ex-secretário também aponta as “ondas verdes” entre as portas que a modernização abre. Cruzamentos sincronizados permitiriam ao motorista, mantendo velocidade adequada, encontrar um sinal aberto atrás do outro. Na avaliação dele, o funcionamento integrado pode significar cinco coisas de uma vez: menos congestionamento, menos tempo de deslocamento, menos combustível queimado, menos poluição no ar e mais segurança nos cruzamentos.

Há um ponto central no projeto que o próprio nome da ação denuncia: a prioridade ao transporte coletivo. O crédito aberto pela Prefeitura está amarrado ao Pro-Transporte, e a tecnologia deverá abrir espaço para ajustar sinal em favor do ônibus nos corredores mais movimentados. O objetivo é diminuir o número de paradas que o semáforo impõe e, com isso, encurtar a viagem de quem anda de coletivo. O Conselho Municipal de Transporte e Mobilidade Urbana, o CMTMU, já recebeu a apresentação do projeto.

Além da tecnologia adaptativa, parte dos equipamentos ficará conectada a uma central, o que permite mudanças a distância. Hoje, determinados ajustes só saem quando uma equipe se desloca até o cruzamento. Com a nova estrutura, dá para alterar remotamente diante de um congestionamento ou de qualquer outra situação que atrapalhe o fluxo.

Está prevista ainda a instalação de nobreaks em determinados pontos, justamente para que o semáforo não apague no instante em que a energia cair — o que hoje transforma qualquer queda de luz em risco no cruzamento. E as botoeiras sonoras devem ampliar as condições de acessibilidade, permitindo adequar o tempo de travessia para quem tem mobilidade reduzida.