Conteúdo com propósito. É isso o que move a trajetória de Luana Aladim como influenciadora, uma recifense quase natalense por escolha, que investe na criação de conteúdos de lifestyle, esportes, bem-estar e negócios. Apaixonada por Natal, Luana veio para a capital potiguar para cursar jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e se encantou pelo surfe. “E pelo meu marido, não necessariamente nessa ordem”, disse, em conversa com a Revista Cultue.
Hoje, trabalhando com marketing para tecnologia, além de treinamentos corporativos e mentorias de carreira, Luana prefere criar conteúdo de maneira “real”, mostrando uma rotina de saúde e esportes, os quais ela acredita que tem um grande poder transformador, especialmente para as mulheres. Um exemplo disso é a conscientização e o estímulo de atividades que ela busca passar nas suas redes, como as competições de triatlo, que são dominadas por homens até então.
Não só isso, mas Luana também quer ampliar o espaço da influência para mulheres negras dentro do esporte. Com um cabelo cacheado e muita energia, ela gosta de trazer uma identificação do público enquanto constrói uma comunidade que também se inspira com ela, compartilhando vivências, dificuldades e, principalmente, sonhos.

Revista Cultue – Como começou sua trajetória como de influenciar digitalmente? E o que mais te motivou?
Luana Aladim – Não lembro exatamente do início, mas comecei a me profissionalizar de verdade (como criadora de conteúdo) de uns 2 anos pra cá: tendo mais constância, ouvindo minha audiência e focando em dores que eu posso ajudar a resolver de forma leve, repassando conhecimento junto com entretenimento.
Eu cresci com a internet, e vi que ela deu palco para muita gente, e infelizmente para algumas pessoas que enrolam mais do que inspiram. Então, produzir conteúdo verdadeiro, que transforma minimamente as diferentes realidades, para mim, é uma forma de gerar valor real para quem tá ali, tentando se distrair.
Cultue – Hoje, o que mais te inspira a criar conteúdo sobre bem-estar, esporte e saúde? E por que criar conteúdo sobre esses temas?
Luana – Eu sempre pratiquei esportes, desde que me conheço por gente. E acredito fortemente no poder transformador que eles têm na construção de indivíduos melhores, mais resilientes e com a cabeça no lugar. Tanto os esportes individuais quanto os coletivos têm esse poder.
Hoje, eu vejo que muitas pessoas estão produzindo e consumindo conteúdos de bem-estar, o que é ótimo. Mas no mundo real, ainda tem muito espaço de conscientização e estímulo: competições de triatlo, por exemplo, ainda são dominadas pelos caras, por diversos motivos. Um deles eu sei que é porque as mulheres acham que é difícil, que não conseguem, ou simplesmente porque nunca passou pela cabeça delas tentarem. E eu quero ser essa pessoa que “pega na mão” e mostra que é possível, que já tem outras mulheres fazendo, que é bom se desafiar e testar seus limites para além do que é “formalmente esperado” pela sociedade.
Cultue – Qual a melhor parte de influenciar? E qual a pior?
Luana – Receber feedbacks positivos, de que meus conteúdos deixaram o dia da pessoa mais alegre, ou que por causa de um story ela se levantou do sofá e foi treinar: coisas assim com certeza são recompensadoras. Mesmo à distância, sinto que ajudei de alguma forma aquela pessoa a “dar o gás” e fazer diferente. Sair da mesmice. Isso retroalimenta o nosso próprio gás, a nossa energia enquanto produtores de conteúdo. Porque diferentemente do que parece, é uma área solitária, porque eu que penso no conteúdo, produzo, edito, busco referências, e ainda tento equilibrar tudo isso com meu trabalho, estudos, tempo de qualidade com a família e os treinos e competições.
Isso, inclusive, tem a ver com a “pior” parte da influência, que é todo esse “back office”, junto com as atualizações de algoritmos que me tiram um pouco do sério. Ainda assim, acho que a “pior” parte mesmo é o sentimento de responsabilidade extrema por aquilo que vou falar, que vou indicar. Tenho muito cuidado na maneira como construo os conteúdos, pensando que estou jogando aquilo para o mundo – e que não é apenas a minha marca pessoa que está em jogo, mas sim a confiança das outras pessoas no que eu falo, nas recomendações que eu dou, que precisa ser bem embasado pra ninguém fazer besteira.
Cultue – Quais são seus locais favoritos no RN para praticar esportes ou cuidar da saúde física e mental?
Luana – As praias do RN me ganham muito, até mesmo as urbanas – e talvez elas principalmente, já que em Recife a gente não pode nem molhar os pés em Boa Viagem. Como eu pratico surfe e natação no mar, tenho as praias de Miami, Cotovelo e Ponta Negra (principalmente ali pertinho do morro) como meus locais preferidos para me conectar com a natureza e me reconectar comigo mesma.
A rota do sol e a via costeira para praticar ciclismo também é muito massa. As trilhas ali do Bosque dos Namorados-Parque das Dunas também têm meu coração. Eu acho incrível que dentro da cidade a gente tenha aquela riqueza de mata atlântica, podendo literalmente se perder no meio do mato, sem precisar viajar mil quilômetros pra isso. Sério, tem uma trilha que o ponto final sai na Via Costeira! É lindo demais. É um grande refúgio que eu espero que a gente não perca. Ah! Sem contar as trilhas ali por Pium, que são nas dunas e lagoas.
Cultue – Você também fala um pouco sobre sua carreira nas redes, quais foram suas maiores conquistas?
Luana – Uma grande conquista, que ajudou tanto os indicadores da empresa como também me ajudou a crescer muito profissionalmente, em ritmo acelerado, foi quando trabalhei como Customer Success Manager na Colina Tech (agência de Natal, mas que atende Brasil todo), liderando e desenvolvendo uma equipe remota. Junto com meu time, conseguimos aumentar o NPS (Net Promoter Score) de 25 para 84 em apenas 8 meses. Antes disso, já tinha apoiado a estruturação do setor de Novos Projetos da Art&C Comunicação, como gestora de projetos, focando na revisão e reestruturação de processos para aumentar a eficiência e qualidade nas soluções de comunicação e também de tecnologia.
Cultue – Você também tem uma newsletter, pode falar um pouco sobre como ela funciona e quais os principais assuntos?
Luana – Azulejos Azuis, como é chamada a minha news, é onde eu deixo meu lado literário voar solto. É um projeto muito antigo, que antes era um blog e virou uma news pela facilidade das pessoas receberem e lerem diretamente na caixa de entrada. Lá, geralmente uma vez por semana, envio uma crônica seguida de uma reflexão e/ou uma música, para ajudar a inspirar as pessoas a verem a vida por um lado mais, leve, mais cômico ou mesmo mais reflexivo. Não tem dia nem hora pra chegar no email: a ideia é que seja um sopro de leveza (pra mim e pro leitor). O nome Azulejos Azuis, inclusive, vem de um dos ambientes com mais histórias e memórias da minha infância, que era a cozinha da casa da minha mãe, revestida com azulejos azuis.
Cultue – Como é para você, enquanto mulher negra, ocupar esse espaço de inspiração e destaque nas redes?
Luana – Vejo que hoje já temos algumas mulheres negras criadoras de conteúdo de destaque e fico feliz. Mas ainda vejo poucas no mundo dos esportes. Eu acho engraçado que, algumas coisas que são muito comuns para as cacheadas, é meio que novidade ou “nunca pensei nisso” para outras pessoas. Exemplo: touca de natação. Eu tenho um cabelo gigante, super volumoso. É um trabalho danado colocar uma touca de natação! Quem não tem esse tipo de cabelo, simplesmente não pensa nisso. E aí quando eu crio um conteúdo bem bestinha, mas falando nisso, acho que as pessoas se tocam sobre essas diferenças e começam a ter mais empatia, ou pelo menos a prestar atenção nas diferenças – não como algo ruim nem nada, mas como algo diferente mesmo. E quem é cacheada e se identifica, mas nunca nadou, já fica sabendo que tem toucas específicas para quem tem cabelão.
Sei lá, não me sinto a última cocada do pacote, não. Nem penso muito nisso, sou meio abestalhada nesse sentido. Quando vejo, o povo tá comentando e aí eu me toco que, por ser mulher, preta, que faz triatlo, que tá na segunda graduação, entregando bons resultados na carreira e com um relacionamento estável, realmente eu não sou a regra. Aí lembro logo de Ariano Suassuna, com o papo de que “enquanto houver injustiça, enquanto houver falta de liberdade, haverá espaço para o sonho”. Então ainda que para muitas mulheres pretas essa realidade que eu vivo seja um sonho, que seja um sonho possível.
Cultue – Como você vê a importância de falar de autocuidado e autoestima para mulheres negras nas redes sociais?
Luana – Meu marido brinca que se for medir a minha autoestima, ela chega no sol e passa adiante de tão grande que é. E mesmo na brincadeira, acho que é verdade (risos). A autoestima é construída por uma série de fatores, e eu fui muito privilegiada por ter tido acesso a muitas coisas quando pequena. Apesar da minha mãe ter falecido quando eu era criança ainda, tive muito amor do meu tio, da minha tia, do meu irmão e primos, que sempre me colocaram muito pra cima e nunca duvidaram de mim. Por isso é que eu me transbordo, sabe? E quero que todo mundo, principalmente as mulheres, sejam contagiadas por essa energia positiva e empoderadora que eu sinto que emano. No final das contas, a gente só coloca para fora o que está dentro da gente.