“Fazer Direito ou seguir meu coração e ir pra moda?”. Esse foi o dilema que Maria Gabriela Rocha — ou Gabi Rocha, como gosta de ser chamada — teve que encarar quando terminou o colégio. Em uma casa onde a estabilidade dos concursos públicos sempre foi regra, escolher um caminho mais criativo parecia, no mínimo, ousado.
Mas Gabi deu um jeitinho bem peculiar de tomar essa decisão: mandou uma mensagem pra Maria Braz. Sim, aquela mesma — a influenciadora, filha da Silvia Braz, que estudava direito e trabalhava com moda ao mesmo tempo. “Ela me respondeu: ‘somos multifacetadas e não tem problema nenhum seguir as duas áreas’”, lembra. E foi o empurrão que ela precisava. Começou as duas faculdades ao mesmo tempo, mas logo percebeu que, embora gostasse do direito, era o design de moda que fazia seu coração bater mais forte. Trancou uma, mergulhou na outra — e nunca mais olhou pra trás.

Hoje, Gabi é designer, influenciadora, trabalha com marketing e comunicação, e se descobriu multipotencial (ela explica o termo mais abaixo). Com um estilo leve, cheio de autenticidade e muita referência ao movimento boho, ela se tornou um nome que inspira — com criatividade, propósito e, claro, muito brilho no olho.

Confira o papo da Cultue com Gabi:
Cultue: Como a moda entrou na sua vida e em que momento você percebeu que queria trabalhar com isso?
Gabi: A moda entrou na minha vida através de duas mulheres: minha avó e minha tia-avó Mina. Minha avó sempre foi meu grande “pinterest” desde criança; e minha tia Mina criava em um pequeno ateliê em casa e sempre fazia questão de me envolver nesse processo (eu amava pintar panos de prato com ela — foram minhas primeiras estampas!).
Cultue: Você transita por várias áreas — design, influência e marketing. Como essas frentes se conectam no seu dia a dia?
Gabi: Descobri recentemente que existem pessoas multipotenciais — e que não precisamos ser só uma coisa. A criatividade é a grande conexão das três áreas na minha vida. Me sinto completa e livre quando estou em um processo criativo, seja no marketing, design ou influência de moda.
Cultue: Qual foi o projeto mais marcante da sua carreira até agora — e por quê?
Gabi: Ver minha família me apoiando! Quando decidi fazer moda, foi muito difícil. Todos ficaram assustados e com medo do futuro. Hoje, perceberam que eu realmente amo o que faço e me apoiam profundamente. Isso não tem preço.
Cultue: Quando você pensa em estilo, o que te inspira? Tem alguma referência que sempre volta?
Gabi: Quando penso em estilo, penso no poder da autenticidade. A diferença entre “moda” e “estilo” é que moda é efêmera, estilo é seu. Não pertence ao mercado nem às tendências, mas à sua história. E dentro do meu estilo, a referência que sempre volta é o movimento boho — desde criança!
Cultue: Como você enxerga o papel da moda na forma como as pessoas se expressam hoje?
Gabi: Quando chegamos em algum lugar, nossa imagem fala antes das nossas palavras. A moda é a expressão de quem somos, o que sentimos, como vemos o mundo e como está a nossa alma. É a nossa maior linguagem silenciosa.
Cultue: Existe alguma tendência que você amou recentemente… e alguma que você torceu o nariz?
Gabi: Olha, está circulando nas redes um movimento que questiona: “se tudo está na moda, então nada está na moda?”. Isso denuncia o excesso de informações que recebemos todos os dias. E com isso, surge uma nova tendência: “ser você você”. Eu AMEI essa ideia. E não tem nenhuma tendência que eu torça o nariz, não!
Cultue: O que nunca pode faltar no seu guarda-roupa?
Gabi: Calça jeans, camisa de botão e rasteirinha — mas não necessariamente tudo junto, tá? (risos)
Cultue: Qual dica você daria para quem quer comunicar sua identidade através do que veste?
Gabi: Saiba quem você é, que você também saberá o que vestir. Muitas pessoas não se sentem bem com o que estão usando porque, no fundo, estão vestindo outra pessoa.
Cultue: Você tem algum ritual criativo ou hábito que ajuda a colocar as ideias em movimento?
Gabi: SIM! Um bem inusitado: quando tenho uma ideia, crio um grupo no WhatsApp comigo mesma e envio áudios gigantes sobre a ideia pra não esquecer. Tenho uns 20 grupos assim com áudios infinitos sobre projetos futuros. (risos)
Cultue: E por fim, o que te move hoje — como profissional e como pessoa?
Gabi: Eu nunca me senti tão realizada na vida, acredita? Sinto que estou no caminho certo e que vai dar certo. O que me move é essa sensação de realização e de me encontrar no processo de ajudar outras pessoas a se encontrarem através da moda. Quando sentir que estou perdendo esse brilho no olho, recalculo a rota — sempre com humildade, criando algo novo e me sentindo viva!
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