BUSCAR
BUSCAR
Agronegócio

Brasil tenta reverter embargo da Europa

Brasil busca evitar restrições da União Europeia às exportações de proteínas animais antes da entrada em vigor da medida, prevista para setembro
Por O Correio de Hoje
02/07/2026 | 16:08

O governo federal, representantes da indústria e entidades do agronegócio intensificaram as negociações para tentar reverter a decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países habilitados a exportar proteínas animais ao bloco. A medida, motivada por exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal, entra em vigor em 3 de setembro.

A estratégia combina tratativas técnicas entre o Ministério da Agricultura e a Comissão Europeia com uma articulação política envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo é demonstrar que o Brasil possui mecanismos para atender às exigências sanitárias europeias e evitar prejuízos a um mercado que movimenta cerca de US$ 1,8 bilhão por ano em exportações brasileiras de carnes.

images
Foto: Reprodução

O governo aposta que o avanço das negociações e o diálogo entre Lula e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, possam abrir espaço para uma reavaliação da decisão. A reunião do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff), marcada para 9 de julho, é vista como uma oportunidade para discutir novamente o tema.

O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Cleber Soares, afirmou que a perspectiva é positiva e destacou que o governo avalia soluções específicas para cada cadeia produtiva. Segundo ele, a adaptação tende a ser mais rápida na avicultura, enquanto a bovinocultura poderá exigir regras de transição devido ao ciclo mais longo de produção.

A indústria também demonstra confiança na reversão das restrições. O CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, afirmou que o desafio não está na qualidade da carne brasileira, mas na formalização das garantias exigidas pela União Europeia sobre o uso de antimicrobianos.

No Congresso, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) acompanha as negociações e defende que o Brasil permaneça na lista de países habilitados. Já as associações Abiec e ABPA solicitaram ao Ministério da Agricultura o endurecimento das regras nacionais para o uso de determinados antimicrobianos, como forma de aproximar a legislação brasileira dos padrões internacionais e reforçar a credibilidade sanitária do país.

Apesar da mobilização, especialistas observam que as exigências europeias eram conhecidas desde 2023 e avaliam que o governo poderia ter iniciado a adaptação com maior antecedência. Ainda assim, o setor considera que ainda há espaço para uma solução antes da entrada em vigor das restrições.