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EDUCAÇÃO

Prefeitura do Natal propõe parcelar novo reajuste de 4,6% para professores

Gestão oferece aumento em duas parcelas de 2,3%, mas sindicato cobra pagamento ainda em 2026 e levará proposta à assembleia da categoria na próxima quarta-feira 16
Agora RN
11/09/2026 | 00:41

A Prefeitura do Natal propôs pagar o reajuste salarial de 4,6% reivindicado pelos professores da rede municipal em duas parcelas: 2,3% em janeiro de 2027 e os outros 2,3% em janeiro de 2028. A oferta foi apresentada nesta quinta-feira 10, durante uma reunião entre o prefeito Paulinho Freire (União) e representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte-RN).

O sindicato questionou por que a primeira parcela não poderia ser incorporada aos salários ainda em 2026. A gestão municipal respondeu que não possui, neste momento, condições de ampliar as despesas com pessoal diante da necessidade de assegurar o pagamento do 13º salário e das incertezas relacionadas ao comportamento da arrecadação nos próximos meses.

Prefeito Paulinho Freire reunido com representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do RN
Prefeitura do Natal propôs parcelar em duas vezes o reajuste de 4,6% reivindicado pelos professores — Lenilton Lima/Sinte-RN

A proposta da gestão municipal será avaliada pela categoria em assembleia do Sinte-RN marcada para quarta-feira 16, às 8h.

Os professores reivindicam a incorporação dos 4,6% ainda em 2026. A categoria já recebeu um reajuste de 5,4% no início deste ano, mas cobra um novo aumento para reduzir a defasagem salarial surgida durante a gestão do ex-prefeito Álvaro Dias — que não aplicou todos os reajustes devidos à categoria.

Durante a reunião, também foi discutida a proposta de unificação das carreiras da educação municipal. Paulinho Freire garantiu a criação de um grupo de trabalho para debater o assunto, considerado estratégico pelo sindicato diante da existência de diferentes legislações, salários e valores de hora-aula entre os profissionais da rede.

A isonomia salarial entre os servidores submetidos às três legislações que regem as carreiras municipais também foi discutida. O prefeito voltou a considerar importante a adoção da medida, mas a Prefeitura informou que aguarda um parecer da Procuradoria-Geral do Município (PGM) sobre a forma de operacionalizá-la. O Sinte-RN cobrou rapidez na análise e pediu a definição de um prazo para que a resposta seja apresentada aos trabalhadores.

Na avaliação da direção sindical, a audiência representou um avanço por ter produzido respostas para reivindicações que permaneciam sem definição, embora a efetivação das medidas ainda dependa de providências concretas da gestão. “Ouvimos respostas por parte da Prefeitura, e levaremos isso para apreciação da categoria”, afirmou a Coordenação-Geral do Sinte-RN.

BB Alimentação Escolar

Outro tema tratado foi a plataforma BB Alimentação Escolar, que utiliza biometria facial para registrar o consumo das refeições pelos estudantes. Representantes do Banco do Brasil informaram que o sistema pretende auxiliar a administração da alimentação escolar e o planejamento da quantidade de refeições. A plataforma já foi instalada em 64 escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), embora ainda não esteja funcionando efetivamente em todas as unidades.

O sindicato apresentou questionamentos sobre o reconhecimento facial e a proteção das informações dos estudantes. Segundo o Banco do Brasil, os responsáveis que não autorizarem a biometria poderão utilizar um QR Code para identificar o aluno, sem prejuízo ao acesso à alimentação escolar. A instituição também afirmou que o tratamento dos dados segue as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Mesmo após os esclarecimentos, o Sinte-RN manteve posição contrária à utilização da biometria facial. A entidade considera que a contratação da plataforma amplia a participação de empresas privadas na prestação de serviços públicos e direciona recursos da educação municipal ao setor privado.

Planejamento e reposição da greve

A audiência abordou ainda a ausência de horário destinado ao planejamento dos professores vinculados à Lei Complementar nº 241/2024, anteriormente regidos pela Lei nº 114/2010. O prefeito reconheceu a importância da reivindicação e defendeu a abertura de diálogo com o Ministério Público para buscar uma solução. Uma das possibilidades discutidas foi a redução do tempo de cada hora-aula para 50 minutos.

Em relação à reposição das aulas interrompidas pela greve de agosto, o sindicato defendeu que o calendário seja estendido até a primeira semana de janeiro de 2027. A medida reduziria a necessidade de concentrar a reposição em sábados letivos ainda em 2026. A Secretaria Municipal de Educação informou que está aberta a analisar uma proposta de calendário elaborada pela categoria.

Os professores realizaram uma greve entre os dias 6 e 24 de agosto. O movimento só foi interrompido depois que a Justiça elevou de R$ 10 mil para R$ 50 mil a multa diária contra o Sinte-RN pelo descumprimento da ordem de retorno ao trabalho. A categoria manteve o estado de greve e retomou a negociação direta com Paulinho Freire em audiência realizada em 1º de setembro.