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Segurança
Apreensão de armas de fogo cresce 17,6% na Grande Natal
Entre as armas mais apreendidas em 2019, o revólver é o predileto dos bandidos. Foram 304 unidades retiradas das ruas pelas forças de segurança somente no ano passado. Com mais armas nas ruas, aumenta número de homicídios
Anderson Barbosa
29/08/2020 | 11:15

À medida que a legislação facilita a aquisição de armas de fogo no País, nada mais natural que elas se tornem cada vez mais presentes na vida do cidadão. E isso traz um reflexo imediato: mais armas, evidentemente, também significa mais poder de fogo à disposição da criminalidade. Basta as forças de segurança apertarem o cerco, e todo esse arsenal logo aparece. Isto tem acontecido no Rio Grande do Norte, especialmente na Grande Natal, que acaba de registrar um aumento de 17,6% no número de armas de fogo apreendidas.

Dados da Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análise Criminal (Coine) da Secretaria Estadual da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed) mostram este aumento. De janeiro a junho de 2019, foram apreendidas 261 armas de fogo na Região Metropolitana de Natal. Já este ano, no mesmo período, já foram 307 apreensões. Em todo o ano passado, foram 507 apreensões.

Cidades mais armadas

Natal, São Gonçalo do Amarante e Parnamirim estão no topo da lista das cidades mais armadas da Região Metropolitana. Das 507 armas apreendidas ao longo de 2019, por exemplo, as três somam mais de 85% do quantitativo total de armas retiradas de circulação.

Este ano, pelo menos no primeiro semestre, a situação é semelhante. Natal vem em primeiro, com 196 armas apreendidas. Parnamirim está em segundo, com 64 armas apreendidas. São Gonçalo do Amarante aparece em seguida, com 60 apreensões.

Armas mais apreendidas

Entre as armas mais apreendidas em 2019, o revólver é o predileto dos bandidos. Foram 304 unidades retiradas das ruas pelas forças de segurança somente no ano passado. No primeiro semestre, foram 160. Já neste ano, de janeiro a junho, foram apreendidos 165 revólveres, um aumento de 3,1%.

Em segundo lugar, está a espingarda, arma de cano longo muito utilizada para a caça. Em 2019, foram apreendidas 74 unidades. No primeiro semestre, foram 31. Já nos primeiros seis meses deste ano, foram 47, o que mostra um crescimento de 51,6%.

Em terceiro lugar, vem a pistola. É importante lembrar que boa parte dos modelos de pistola à venda no mercado é de uso exclusivo das forças de segurança. Em 2019, foram 68 unidades apreendidas. No primeiro semestre foram 40. Já nos primeiros seis meses de 2020, foram 64 apreensões, um aumento de 67,5%.

Dedicação e integração das forças de segurança pública dão bons resultados com apreensões

A dedicação extrema dos policiais e uma maior integração dos agentes que atuam na segurança pública são fatores que contribuem para bons resultados, principalmente quando o assunto é apreensão de armas de fogo no Estado. A opinião é compartilhada pelo secretário da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed) e pelo comandante-geral da Polícia Militar.

Para o titular da Sesed, coronel Francisco Araújo Silva, o crescimento da apreensão de armas de fogo na Grande Natal tem uma explicação. Ele credita o êxito “à abnegação dos policiais, às ações mais integradas entre as forças policiais que atuam no estado e a um maior reforço no policiamento nas ruas”.

Opinião semelhante tem o coronel Alarico Azevedo, comandante-geral da PM no Estado. “Estamos ainda mais atuantes, mais predestinados a combater a criminalidade. Compartilhamos de informações de inteligência e também apostamos em ações integradas com os agentes de segurança de outras forças, e isso resulta em menos armas ilegais em circulação em nosso estado”, destacou.

Mortes a bala também aumentam

Quanto mais armas de fogo nas ruas, mais consequências elas podem causar. A principal, como não poderia deixar de ser, é a morte. A afinal, arma foi feita para matar. Os dados provam a eficiência.

Na última edição do Agora RN, reportagem mostrou que a violência segue desenfreada no Rio Grande do Norte. É que o número de mortes deste ano — embora estejamos em meio a uma pandemia, com direito a distanciamento e a isolamento social — já é maior que o registrado no mesmo período do ano passado, quando ninguém era obrigado a ficar em casa. E as armas de fogo são os instrumentos que mais tiram vidas. Das 983 mortes violentas contabilizadas de janeiro até a manhã da quinta-feira 27, pelo menos 861 foram causadas por tiros (87,5%).

Os demais 122 homicídios registrados em 2020 foram causados por armas brancas (65), espancamento (14), objetos contundentes (13), asfixia mecânica (1 e outros instrumentos (29).

Armas regularizadas

Os registros de novas armas de fogo concedidos pela Polícia Federal nos seis primeiros meses deste ano chegaram a 89% do total de todo o ano passado. Até junho, haviam sido 73.985 registros. Nos 12 meses de 2019, foram 82.663.

Os dados são nacionais. O Agora RN solicitou o número de armas de fogo registradas no Rio Grande do Norte, mas, até o fechamento desta matéria, a PF ainda não havia respondido.


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