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Automóveis

Xpeng acelera planos para vir ao Brasil

Montadora chinesa busca executivos para estruturar subsidiária, homologar veículos e organizar rede comercial no mercado brasileiro
Por O Correio de Hoje
06/07/2026 | 15:21

A fabricante chinesa de veículos elétricos Xpeng iniciou uma nova etapa de sua estratégia de expansão internacional ao abrir vagas para cargos de liderança no Brasil, movimento que reforça os preparativos para o início de suas operações no país, previsto para 2027. A companhia busca profissionais para posições como Country Manager e Product Certification Manager, responsáveis por estruturar a subsidiária brasileira, desenvolver a estratégia comercial e conduzir o processo de homologação dos veículos junto às autoridades nacionais.

As descrições das vagas, publicadas na plataforma LinkedIn, indicam que a empresa pretende montar uma estrutura própria no país. O futuro Country Manager ficará encarregado de implantar o modelo operacional da subsidiária brasileira, formar a equipe local, desenvolver relações com órgãos governamentais, definir estratégias de vendas, estruturar a rede de concessionárias e organizar a operação de pós-venda. O cargo também inclui atribuições relacionadas a planejamento de produtos, precificação, marketing e adaptação dos veículos às características do mercado brasileiro.

X Peng
Chinesa XPeng quer entrar no mercado brasileiro a partir de 2027 - Foto: reprodução / internet

Já o gerente de certificação de produtos terá como missão interpretar a regulamentação automotiva brasileira, coordenar a homologação de veículos e componentes, além de manter interlocução com laboratórios e órgãos certificadores. A empresa exige conhecimento das normas nacionais, experiência em processos regulatórios e domínio de inglês e português.

Embora ainda não tenha confirmado oficialmente sua chegada ao Brasil, a movimentação ocorre após uma série de iniciativas adotadas pela fabricante nos últimos meses. Em julho de 2025, a Xpeng registrou sua subsidiária brasileira na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), utilizando a empresa responsável por conduzir sua expansão internacional. Na mesma época, também surgiram as primeiras contratações voltadas à estruturação da operação local.

O interesse pelo mercado brasileiro já havia sido confirmado pelo vice-presidente global da companhia, Brian Gu, durante o Salão de Munique, na Alemanha. Na ocasião, o executivo afirmou que o Brasil fazia parte dos planos de expansão da fabricante, que também apresentou sua estratégia para áreas como inteligência artificial, robôs humanoides e veículos voadores, segmentos nos quais vem ampliando investimentos.

Fundada em 2014, a Xpeng tornou-se uma das principais representantes da nova geração de montadoras chinesas especializadas em veículos definidos por software. A companhia desenvolve sistemas próprios de assistência à condução, inteligência artificial embarcada, atualizações remotas e plataformas elétricas de alta tensão. Suas ações são negociadas simultaneamente nas bolsas de Nova York e Hong Kong.

A entrada da empresa amplia a disputa no mercado brasileiro de veículos eletrificados, que nos últimos anos recebeu investimentos de fabricantes chinesas como BYD, GWM, Zeekr, Omoda & Jaecoo e Neta Auto. O segmento vem registrando crescimento acelerado impulsionado pelo aumento da oferta de modelos elétricos e híbridos, pela expansão da infraestrutura de recarga e pelo avanço da concorrência entre as marcas asiáticas.

Ainda não há definição oficial sobre quais veículos serão comercializados no país. Entre os candidatos mais prováveis está o sedã elétrico P7+, cujo registro de propriedade industrial já foi realizado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Na configuração europeia, o modelo oferece autonomia de até 530 quilômetros pelo ciclo WLTP, porta-malas de 573 litros e sistema de recarga ultrarrápida capaz de elevar a bateria de 10% para 80% em aproximadamente 12 minutos. O veículo utiliza o chip proprietário Turing AI XP5, desenvolvido para funções de inteligência artificial e assistência avançada ao motorista.

Outro modelo cotado para a estreia é o G6, SUV cupê construído sobre arquitetura elétrica de 800 volts. O veículo entrega até 613 cv de potência, acelera de zero a 100 km/h em 4,13 segundos e possui autonomia de até 698 quilômetros no ciclo WLTP. Também chama atenção pelo sistema de carregamento rápido, que permite recuperar de 10% a 80% da bateria em cerca de 12 minutos.

Na faixa mais premium, o G9 reúne recursos voltados ao segmento de luxo. Equipado com bateria de supercarregamento 5C, o SUV aceita potência de recarga de até 525 kW, suficiente para atingir entre 10% e 80% da carga em aproximadamente 12 minutos. A autonomia chega a 756 quilômetros pelo padrão WLTP. O modelo oferece bancos com aquecimento, ventilação e função de massagem, sistema de áudio Dynaudio com 20 alto-falantes e duas telas de 14,96 polegadas com resolução 2.4K.

A linha internacional da fabricante inclui ainda o monovolume X9, disponível em versões totalmente elétricas e com extensor de autonomia (EREV). A configuração EREV combina motor elétrico com um propulsor a combustão utilizado exclusivamente para gerar energia, permitindo alcance total superior a 1.500 quilômetros, solução considerada estratégica para mercados onde a infraestrutura de carregamento ainda está em expansão.

A companhia ainda não informou se iniciará sua operação brasileira apenas com veículos elétricos a bateria ou se também trará modelos equipados com tecnologia EREV. A definição deverá considerar fatores como a evolução da rede nacional de recarga, o perfil do consumidor brasileiro e a estratégia comercial adotada pela empresa para disputar espaço em um mercado que se tornou um dos principais destinos da indústria chinesa de veículos eletrificados na América Latina.