Os setores ligados ao consumo das famílias e aos serviços essenciais sustentaram a geração de empregos formais no Rio Grande do Norte em maio e evitaram que o mercado de trabalho voltasse ao campo negativo. Levantamento do Instituto Fecomércio RN (IFC), com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego na terça-feira 30, mostra que Saúde, supermercados, educação, logística, farmácias e comércio de veículos lideraram as contratações no estado e compensaram parte das demissões registradas na agropecuária e na construção civil.
O Rio Grande do Norte encerrou maio com saldo positivo de 109 vagas com carteira assinada, revertendo o resultado negativo de abril, quando foram fechados 311 postos de trabalho. Apesar da recuperação, o desempenho ficou bem abaixo do registrado no mesmo mês de 2025, quando o estado havia criado 2.159 empregos formais.

A análise da Fecomércio RN mostra que Comércio e Serviços foram decisivos para o resultado. Juntos, os dois setores responderam por 556 novas vagas, número equivalente a mais de cinco vezes o saldo líquido obtido pelo estado no mês. O desempenho evidencia que as atividades voltadas ao cotidiano da população mantiveram capacidade de contratação mesmo diante da desaceleração observada em outros segmentos da economia.
O principal destaque foi o setor de Saúde, responsável pela criação de 275 empregos formais em maio. Também apresentaram saldo positivo os supermercados, com 123 novas vagas, o comércio de veículos e peças (+98), a educação (+61), as atividades de armazenamento e logística (+51) e as farmácias (+45). Para o presidente do Sistema Fecomércio RN, Marcelo Queiroz, o desempenho reforça o papel do setor terciário como principal sustentação do mercado de trabalho estadual.
“O setor terciário voltou a exercer um papel decisivo para a economia potiguar, demonstrando capacidade de sustentar a atividade e a geração de empregos mesmo em um cenário de desaceleração em outras áreas”, afirma.
Enquanto o comércio e os serviços ampliaram as contratações, a agropecuária e a construção civil pressionaram o resultado estadual. A agropecuária fechou 244 postos de trabalho em maio, enquanto a construção civil registrou saldo negativo de 229 vagas.
As maiores perdas ocorreram no cultivo de melão, que eliminou 291 empregos, seguido pelas obras de infraestrutura (-104) e pela construção de edifícios (-63). Segundo a Fecomércio RN, o desempenho desses segmentos está associado a fatores sazonais e às oscilações da atividade agroindustrial.
O impacto das demissões também influenciou a posição do Rio Grande do Norte no cenário regional. Em maio, o estado apresentou o segundo menor saldo de empregos do Nordeste, ficando à frente apenas de Alagoas, que também sofreu efeitos da retração na agroindústria.
O comportamento distinto entre os setores também aparece no acumulado dos cinco primeiros meses do ano. Entre janeiro e maio, Comércio e Serviços responderam, juntos, pela criação de 5.390 empregos formais, sustentando o saldo positivo de 215 vagas registrado pelo estado no período.
Na lista das atividades que mais contrataram no acumulado do ano aparecem Saúde, com 909 novos postos de trabalho, Educação (+831), comércio atacadista (+362), comércio de veículos e peças (+290) e farmácias (+133). A construção civil também apresentou saldo positivo no período, com a abertura de 1.560 vagas, apesar do resultado negativo observado em maio.
Em sentido oposto, a agropecuária acumulou fechamento de 5.580 postos de trabalho entre janeiro e maio, enquanto a indústria eliminou 1.149 vagas. De acordo com a análise da Fecomércio RN, as perdas concentradas nesses segmentos impediram que o mercado formal de trabalho potiguar apresentasse um crescimento mais robusto nos primeiros cinco meses de 2026, apesar do desempenho consistente das atividades ligadas ao consumo e à prestação de serviços.