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Entrevista
“Precisamos retomar”, diz presidente da Fiern
A despeito dos riscos implicados nessa decisão contra um vírus que já fez 60 mil mortes no Brasil, Amaro Sales deposita sua confiança na rigidez dos protocolos na tentativa de conter os efeitos econômicos da pandemia
Redação
03/07/2020 | 04:40

Empresário do ramo de panificação, Amaro Sales vem construindo ao longo dos últimos anos uma trajetória relevante à frente da Federação da Indústria do Rio Grande do Norte (Fiern).

Sob sua gestão, um dos mais completos diagnósticos já realizados sobre as potencialidades do Estado nasceu e vem sendo atualizado, apontando os setores mais importantes para se investir.

O problema é que a pandemia do novo coronavírus retardou todo esse processo, abatendo a confiança do setor produtivo.

Nesta entrevista, Amaro Sales fala dos problemas causados pela crise sanitária e da baixa no moral dos empresários com a queda brutal na demanda, mas sinaliza que tempos melhores podem vir na esteira da crise.

AGORA RN – A taxa de confiança dos empresários potiguares desabou com a pandemia do coronavírus. Como é possível reverter uma situação tão delicada?

AMARO SALES – A gente não tem como prever diante deste cenário de pandemia – primeiro sanitária e depois econômica -, mas eu sou otimista e acredito que, depois desta reabertura das atividades econômicas, possamos ver esse índice de confiança do empresariado da indústria ser retomado. O empresariado está meio descontente com a falta de pedidos à indústria, mas agora, depois dessa retomada, pode ocorrer de a indústria voltar a aquecer sua produção.

AGORA – Com a escalada do desemprego, a reclamação generalizada é que os micro, pequenos e médios negócios não têm tido acesso a linhas de crédito. Como o senhor vê esse problema?

AS – Os bancos precisam entender que crédito para micro e pequena empresa tem que ser imediato. Os bancos continuam burocratas, exigindo documentos que não existem e continuam com sua velha política: emprestar a quem não precisa. Precisamos dar um basta nisso. A livre concorrência é quem vai fazer isso acontecer. Entendemos que o sistema bancário brasileiro, com apenas cinco grandes bancos, não dá oportunidade para que os clientes, sejam eles micro, pequeno ou médios, possam escolher o seu tomador. Acredito que esta pandemia econômica, principalmente na questão do crédito, só terá um fim se o Governo Federal abrir as portas para que o crédito internacional possa chegar no Brasil. E também incentivar as cooperativas de crédito e as operadoras digitais, as fintech.

AGORA – A Fiern reuniu, anos atrás, empresários para financiar um estudo sobre as grandes potencialidades do RN até 2023. Esse estudo ainda é atual depois dessa pandemia?

AS – O estudo foi atualizado em 2018 e está sendo atualizado mensalmente. A nova versão digital foi lançada agora, na véspera da pandemia, e o Mais RN vai continuar sendo atualizado. Ele será a grande ferramenta para os investidores identificarem oportunidades dentro do Rio Grande do Norte. O Mais RN é o maior documento apolítico criado para o desenvolvimento do estado documento. O governo do estado tem discutido e participado para que a gente possa tornar operante. Inclusive, ele está dando uma grande contribuição nesta pandemia, fornecendo dados em parceria com o Lais e a Thémata.

AGORA – O senhor avalizou uma série de protocolos de retomada das empresas. Acontece que estamos no pico dos contágio e mais de 900 mortes esta semana no RN. O senhor acha que essa crise sanitária veio para ficar por mais tempo?

AS – A crise sanitária veio para o mundo, não é só um privilégio do Rio Grande do Norte. E aconteceu em locais com maior e menor intensidade. Neste momento é vital acompanhar a taxa de transmissibilidade, de leitos disponíveis, de óbitos. A sinal de perigo, medidas imeatas terão de ser tomadas. A FIERN trabalhou intensamente para abertura de novos leitos, abertura de novos hospitais abertura de novas UTIs – claro que tudo isso dentro dos recursos estadual federal e de um amplo projeto de Estado da Secretaria Estadual de Saúde

AGORA – Em poucas palavras, o que o senhor diria aos integrantes do setor produtivo neste momento tão delicado?

AS – Precisamos retomar e precisamos ter cuidado com a vida. Precisamos ter responsabilidade com a vida e com a proteção individual de cada funcionário, que precisa usar seus equipamentos de proteção, lavar as mãos com água e sabão e passar álcool em gel. A recomendação que nós temos a fazer aos empresários é que encaremos que esta pandemia não vai embora agora. A gente vai conviver por algum tempo com ela. Então, nada melhor do que as precauções e atender aos protocolos exigidos pelas instituições de saúde. Eu acredito que será dolorido, mas vamos ter que sair desta crise com certeza. Que Deus nos ajude!

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