A Páscoa de 2026 deve movimentar mais recursos no varejo brasileiro e manter a data entre as mais relevantes do primeiro semestre, segundo dois levantamentos nacionais.
Pesquisa da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), realizada em parceria com o Datafolha, indica que o período deve gerar cerca de R$ 6 bilhões em vendas, volume 14,2% superior ao registrado no ano passado. O estudo aponta ainda aumento no gasto médio, estimado em R$ 175 por consumidor, acima dos R$ 146 apurados em 2025.

De acordo com esse levantamento, aproximadamente 98 milhões de brasileiros devem ir às compras, o equivalente a 61% da população. Entre os itens mais procurados, os ovos de Páscoa lideram a preferência, citados por 61% dos consumidores, seguidos por barras de chocolate (39%) e bombons ou trufas (27%).
O consumo permanece concentrado no comércio físico, responsável por 89% das aquisições. As compras online representam 10% do total, enquanto 31% dos entrevistados afirmam que pretendem adquirir produtos de vendedores autônomos. No recorte regional, o Sudeste concentra a maior movimentação financeira, com R$ 2,77 bilhões, seguido por Nordeste e Sul. Norte e Centro-Oeste registram valores inferiores a R$ 500 milhões cada.
Os cartões seguem como principal meio de pagamento, utilizados por 41% dos consumidores, especialmente entre as faixas de renda mais alta. Entre aqueles que optam pelo crédito, mais da metade pretende parcelar as compras.
Outro levantamento, conduzido pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), apresenta números ainda mais amplos. Segundo a entidade, a Páscoa deve mobilizar cerca de 106 milhões de consumidores no país, com 65% dos brasileiros declarando intenção de compra — um aumento nominal de 4,2 milhões de pessoas em relação ao ano anterior.
Nesse estudo, os ovos de chocolate industrializados também aparecem como principais produtos, escolhidos por 56% dos entrevistados. Em seguida vêm os bombons (50%) e as barras (39%). O gasto médio projetado é maior que o indicado pela Abecs, chegando a R$ 253, com estimativa de aquisição de cinco itens por consumidor.
A pesquisa da CNDL também aponta que a data vai além do consumo de chocolates. Cerca de 78% dos brasileiros pretendem preparar ou consumir pratos típicos, com destaque para pescados como bacalhau, salmão e atum, preferidos por 49% dos entrevistados, sobretudo entre os Baby Boomers e consumidores das classes A e B. Outros itens tradicionais, como a Colomba Pascal (18%) e o pão de Páscoa (15%), também devem compor a mesa.
Para o presidente da CNDL, José César da Costa, a data mantém relevância no calendário econômico. “A Páscoa reafirma sua posição como uma das datas mais vitais do calendário comercial. O impacto é multissetorial: desde o varejo de alimentos, até o setor de pescados”, afirma. Ele ressalta ainda o comportamento de última hora dos consumidores: “O grande desafio para o lojista este ano é a ‘janela de última hora’, já que 45% dos consumidores pretendem comprar apenas na semana do evento”.
Apesar das projeções positivas, o cenário financeiro das famílias impõe limites ao consumo. Entre os que não pretendem comprar, 51% apontam a necessidade de priorizar o pagamento de dívidas — aumento de 31 pontos percentuais em relação a 2025. Além disso, 38% dos consumidores que planejam gastar na Páscoa estão com contas em atraso, e, dentro desse grupo, 75% já se encontram negativados.
Diante desse contexto, a recomendação é de cautela. “Embora haja um desejo latente de celebrar e presentear, o componente de restrição financeira está mais forte do que nunca. Para quem vai às compras, a cautela deve ser a palavra de ordem, é fundamental que o consumidor faça um planejamento rigoroso e utilize a pesquisa de preços para evitar que a celebração de hoje se torne uma inadimplência prolongada amanhã”, orienta Costa.