O preço do imóvel novo em Natal está subindo mais que o dobro do custo de construí-lo. O metro quadrado dos lançamentos verticais na capital chegou a R$ 9.780 no segundo trimestre, alta de 17% em um ano, segundo a pesquisa da Brain Inteligência de Mercado encomendada pelo Sinduscon-RN e pelo Sebrae-RN. No mesmo período, o custo oficial da construção no Rio Grande do Norte — medido pelo Sinapi, do IBGE, que acompanha materiais e mão de obra — subiu 7,8%, de R$ 1.723 para R$ 1.857 por metro quadrado, em valores consultados pelo Agora RN nesta quinta-feira 27. A diferença indica que a valorização não é simples repasse de custo: é demanda aquecida encontrando oferta em queda.
Os números de venda sustentam a leitura. Foram 1.720 unidades verticais comercializadas em Natal nos 12 meses até junho, crescimento de 78% sobre as 967 do período anterior, com Valor Geral de Vendas de R$ 931 milhões — alta real de 39%, já descontada a inflação da construção. Os lançamentos também cresceram (34%, para 1.596 unidades), mas em ritmo menor que as vendas, e o estoque disponível caiu 7%, para 1.651 imóveis. É a combinação clássica que pressiona preço: mais gente comprando, menos produto na prateleira. Os dados completos da pesquisa, divulgada nesta semana, foram detalhados pelo O Correio de Hoje na edição desta quinta-feira 27.

O mapa da procura tem endereço: Ponta Negra concentrou 36% das vendas do trimestre, seguida por Potengi (16,8%) e Cidade da Esperança (13%). Nos preços, Petrópolis lidera com R$ 13.460 o metro quadrado, à frente de Tirol (R$ 11.125) e da própria Ponta Negra (R$ 10.603); na outra ponta, Pajuçara tem o metro mais barato, a R$ 5.991. O tíquete varia de R$ 323 mil no segmento econômico a R$ 3,7 milhões no padrão alto — e, mesmo valorizada, Natal segue atrás de seis das nove capitais nordestinas, com Maceió no topo regional (R$ 14.090).
O contraste fica na Região Metropolitana, onde o mercado anda na direção oposta: as vendas verticais caíram 47% em 12 meses e os lançamentos recuaram 53%, com apenas 78 unidades negociadas no segundo trimestre — retração de 79%. Para o vice-presidente de Mercado Imobiliário do Sinduscon-RN, Francisco Ramos, o desempenho da capital “mostra a confiança do consumidor e a força do mercado local”, mas a diferença metropolitana “indica que precisamos olhar para as particularidades de cada mercado”.
A força das vendas convive com um setor que produz sob pressão: o custo da construção subiu no RN pelo quinto mês seguido em julho, e a construção civil potiguar vem perdendo vagas sob juros e custos elevados. É justamente esse pano de fundo que torna o descolamento entre o preço de venda (17%) e o custo de obra (7,8%) o dado mais revelador da pesquisa: quem comprou imóvel novo em Natal no último ano pagou, sobretudo, pela disputa por unidades — não pelo cimento.