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Exportações

RN diversifica destinos das exportações e amplia a venda de melão para o Canadá

Exportações potiguares da fruta somaram US$ 54,3 milhões até agosto; Canadá já ocupa a quinta posição entre os compradores
Agora RN
15/09/2026 | 22:40

As exportações de melão do Rio Grande do Norte começam a avançar sobre novos mercados, num quadro de forte concentração das vendas na Europa. Entre janeiro e agosto de 2026, o Estado embarcou aproximadamente US$ 54,3 milhões da fruta para o exterior, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do RN (Sedec). O Canadá aparece como o quinto maior comprador, com US$ 768,5 mil em aquisições, o equivalente a cerca de 1,4% do total comercializado no período.

Apesar da participação ainda reduzida, a entrada do país norte-americano entre os cinco principais destinos abre uma nova frente para a fruticultura potiguar. Espanha, Países Baixos e Reino Unido continuam concentrando a maior parte dos negócios, mas o mercado canadense já aparece à frente de destinos europeus tradicionais, como Itália e Alemanha.

Trabalhador coloca melões em esteira de colheitadeira em plantação sob céu azul
Colheita de melão no Oeste potiguar; as exportações da fruta somaram US$ 54,3 milhões até agosto — José Aldenir/Agora RN

A Espanha liderou as compras entre janeiro e agosto, com US$ 22 milhões, seguida pelos Países Baixos, com US$ 18,2 milhões, e pelo Reino Unido, com US$ 11,1 milhões. A Noruega ocupou a quarta posição, com US$ 843,2 mil, e o Canadá chegou ao quinto lugar.

Esse mercado ganhou um novo fornecedor potiguar no fim de agosto. A Agrícola Favorita iniciou os embarques para o Canadá e pretende enviar 50 contêineres até fevereiro de 2027. A empresa começou a operar há cerca de um ano em uma área de 45 hectares entre Mossoró e Tibau, na região Oeste.

Inicialmente, a operação previa o envio de um contêiner por semana. A partir desta semana, o volume passa para dois contêineres semanais. Em aproximadamente 30 dias, a empresa também pretende começar a vender melão para países da União Europeia.

A entrada no Canadá teve apoio do RN+ Exportação, programa realizado por meio de parceria entre o Sebrae-RN e a Sedec. Para David Góis, gerente de Negócios, Inovação e Tecnologia do Sebrae-RN e um dos coordenadores do programa, o tamanho atual do mercado canadense precisa ser observado em relação aos destinos tradicionais da fruta potiguar.

“É um mercado relativamente pequeno comparado com os mercados mais importantes da fruticultura potiguar (Inglaterra, Holanda e Espanha), mas que se encontra à frente de outros que são tradicionais, como a Itália e Alemanha. Hoje, o Canadá é abastecido prioritariamente pelos EUA, México e Guatemala, impulsionado pelos acordos comerciais e facilidades logísticas. Entretanto, é um país que consome bem o melão, e o Brasil pode se estabelecer como fornecedor, principalmente durante as entressafras dos demais países”, afirma Góis.

A entrada de produtores potiguares no Canadá representa uma tentativa de ampliar a distribuição geográfica das exportações de frutas do Estado. Hoje, Espanha, Países Baixos e Reino Unido absorvem juntos mais de US$ 51 milhões dos US$ 54,3 milhões vendidos pelo RN em melões nos oito primeiros meses do ano.

A diretoria da Agrícola Favorita afirma que a preferência do consumidor canadense ajudou na abertura do mercado. “É um mercado que tem preferência por frutas grandes, como é o caso do melão”, informou a empresa. A logística, porém, permanece como uma questão para a ampliação dos embarques. “A parte de escoamento é um grande gargalo”, disse a Agrícola.

Para a Sedec, uma operação regular para a América do Norte pode facilitar movimentos posteriores de outras empresas. “Quando uma empresa do estado consegue estabelecer uma rota comercial regular, superar exigências logísticas e sanitárias e desenvolver compradores no exterior, ela reduz parte da incerteza para outras empresas interessadas naquele mercado. Nesse sentido, a experiência da Agrícola Favorita pode funcionar como uma espécie de referência para outros produtores potiguares”, afirmou a pasta.

A capacidade de aumentar as vendas externas passa também pelas condições de transporte entre as áreas produtoras do Oeste potiguar e os pontos de embarque. Para um setor baseado em produtos perecíveis, prazo, regularidade e condições de deslocamento interferem diretamente na operação comercial.

A Sedec aponta a duplicação da BR-304 como uma intervenção que poderá influenciar esse cenário. A rodovia funciona como um dos principais corredores de transporte entre as regiões produtoras e outros pontos do Rio Grande do Norte. “A duplicação da BR-304 tende a contribuir para melhorar o escoamento da produção das principais áreas produtoras até os pontos de embarque, reduzindo tempo de deslocamento e favorecendo que um produto altamente perecível chegue em melhores condições”, informou a Secretaria.

A pasta também cita as características naturais do Estado como fatores que sustentam a produção. Segundo a Sedec, a elevada incidência solar e as condições climáticas permitem regularidade na oferta e produtividade no cultivo do melão.

O avanço sobre mercados fora da Europa acontece num momento de expectativa de crescimento das vendas externas da fruticultura. Para a safra 2026/2027, a projeção informada é de US$ 1,42 bilhão em exportações.

No caso específico do melão, os números dos oito primeiros meses mostram que a Europa permanece como destino dominante. O movimento para o Canadá, portanto, ainda não altera a estrutura das exportações potiguares. A continuidade dos embarques nos próximos meses deverá mostrar se o país norte-americano poderá se consolidar como comprador regular e ampliar sua participação em uma cadeia que tem no Oeste do Rio Grande do Norte uma de suas principais bases de produção.