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Pós-pandemia
George Gosson: Turismo precisará de crédito e redução de impostos
Presidente do Natal Convention Bureau fala das dimensões épicas da pandemia para o turismo e oferece visão realista do momento
Redação
30/06/2020 | 06:05

Presidente, desde o ano passado, do Natal Convention & Visitors Bureau, o empresário do setor hoteleiro George Gosson, há tempos, tem assento reservado entre as vozes mais influentes do turismo potiguar. Isso quer dizer que a opinião dele tem peso entre os pares pelo imenso senso de ponderação e equilíbrio que carregam.

Nesta entrevista ao Agora RN, Gosson fala da hecatombe que representa para o setor a pandemia do novo coronavírus e dá conselhos valiosos para quem vive do segmento neste momento de tantas incertezas.

AGORA RN – Como o turismo do RN, que já vinha sofrendo com a crise econômica, sairá da pandemia do coronavírus?

GEORGE GOSSON – Esta é, sem nenhuma dúvida, a maior crise que o turismo mundial já enfrentou. O cenário será extremamente desafiador, com redução drástica da demanda e dos fluxos turísticos em todos os segmentos.

AGORA – O senhor acha que o governo estadual poderia ter feito algo mais a favor do setor, que reúne mais de 50 segmentos econômicos?

GG – Todos os governos devem desenvolver, em conjunto com os empreendedores do turismo, formas de minimizar o fechamento de empresas e de postos de trabalho e atuar na sua retomada. Medidas para facilitar o acesso ao crédito e a redução da carga tributária serão fundamentais para a sobrevivência das empresas e dos empregos.

AGORA – E no RN?

GG – Com relação ao governo estadual, neste momento, a prioridade deve ser a abertura das vagas críticas (leitos de internação) de Covid-19 previstas no plano de contingência desenvolvido pela Sesap (Secretaria Estadual de Saúde Pública). Sem a abertura destas vagas, o início da retomada do setor demorará ainda mais. Em seguida, atuar na retomada da atividade através de promoções dos destinos, comunicando as medidas de segurança sanitária implementadas.

AGORA – Depois da pandemia, o senhor prevê uma concentração no setor hoteleiro e turístico, com o desaparecimento de muitas empresas, ficando apenas os players mais fortes?

GG – É certo que muitas empresas não sobreviverão a esta crise sem precedentes, entretanto, ainda é cedo para prever qualquer concentração no setor. O que já se vislumbra é algum rearranjo em meios de hospedagem multipropriedade, como condo-hotéis e flats. Nesses casos, é comum a saída de proprietários do pool e mudanças de administradoras hoteleiras.

AGORA – Os empresários do setor vislumbram saídas possíveis dessa crise sanitária de dimensões épicas? E quais são elas?

GG – Todas as saídas passam pela atuação conjunta de empresários, desde os grandes até os micro, profissionais autônomos e governos. Segurança sanitária, protocolos eficazes e promoção turística na retomada serão prioritários.

AGORA – Já é possível por números na crise do turismo potiguar com a pandemia?

GG – O turismo é responsável por 8,1% do PIB brasileiro e já perdeu R$ 62 bilhões de março a maio. Além disso, deve demitir 295 mil trabalhadores formais em três meses, segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Ainda não temos números para o RN.

AGORA – Que mensagem o senhor endereçaria para os empresários do setor em poucas palavras?

GG – Foque na sobrevivência. O caixa é o coração da empresa no momento. Busque abrir linhas de crédito, mesmo que não precise delas agora. Estude os protocolos sanitários e planeje suas implantações, pois o turista exigirá isso de sua empresa. E também temos a obrigação de zelar pela saúde de nossos colaboradores.

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