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Mercado de trabalho

Desemprego desce para menor nível da história, mas desigualdades persistem

Número de desocupados recua 26,7%, enquanto dados nacionais mostram maior exposição de mulheres, pretos e pessoas com ensino médio incompleto
Agora RN
15/08/2026 | 01:20

O Rio Grande do Norte encerrou o segundo trimestre de 2026 com a menor taxa de desocupação de sua série histórica, iniciada em 2012. O indicador caiu para 5,6% entre abril e junho, próximo da média brasileira de 5,4%. Apesar da redução, os recortes nacionais por sexo, cor ou raça e escolaridade mostram que a melhora do mercado de trabalho não alcança todos os grupos na mesma proporção.

No Estado, a taxa recuou 1,9 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre, quando estava em 7,6%. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, período em que o índice alcançava 7,5%, a queda foi de 1,8 ponto. Em Natal, a desocupação ficou em 6,3%, 0,7 ponto acima do resultado estadual e 0,9 ponto acima da média do País.

Carteira de Trabalho e Previdência Social
Carteira de Trabalho e Previdência Social — Foto: José Aldenir/Agora RN

O contingente de pessoas sem trabalho e à procura de uma vaga foi estimado em 83 mil no Rio Grande do Norte. O número representa uma redução de 26,7% frente ao trimestre anterior, quando havia 113 mil desocupados. Em três meses, portanto, 30 mil pessoas deixaram essa condição.

A queda potiguar foi a maior entre as 13 unidades da Federação que apresentaram redução estatisticamente confirmada no período. Em termos de pontos percentuais, o recuo de 1,9 ponto superou os registrados na Paraíba e no Acre, ambos com baixa de 1,6 ponto, e no Tocantins, com diminuição de 1,5 ponto.

A população ocupada no Estado chegou a 1,383 milhão de pessoas. A variação de 0,6% em relação aos três primeiros meses do ano foi considerada estável pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O nível de ocupação — parcela das pessoas em idade de trabalhar que estava efetivamente ocupada — ficou em 48,5%.

No setor privado, o Rio Grande do Norte contabilizava 435 mil pessoas trabalhando com carteira assinada e 202 mil sem registro formal. O rendimento médio mensal real habitual foi estimado em R$ 2.861. Embora o resultado seja classificado como estatisticamente estável, o valor ficou R$ 162 abaixo dos R$ 3.022 registrados no primeiro trimestre.

Os recortes por características da população foram divulgados pelo IBGE para o mercado de trabalho nacional. Eles não permitem atribuir automaticamente as mesmas taxas ao Rio Grande do Norte, mas mostram como a queda geral do desemprego convive com diferenças de acesso às vagas.

Entre as mulheres, a taxa brasileira de desocupação ficou em 6,4%, enquanto a dos homens foi de 4,6%. A distância chegou a 1,8 ponto percentual. Em termos proporcionais, o desemprego feminino foi 39,1% superior ao masculino, conforme cálculo feito a partir das taxas do instituto.

A menor diferença proporcional entre homens e mulheres havia sido registrada no segundo trimestre de 2020, quando o indicador feminino ficou 27% acima do masculino. A distância observada em 2026 mostra que o recuo nacional para 5,4% não eliminou a desigualdade entre os dois grupos.

Fatores como a divisão das tarefas domésticas, os cuidados com crianças e idosos, a presença em setores com diferentes níveis de formalização e o tempo de afastamento do mercado podem influenciar o acesso das mulheres às oportunidades. A taxa de desocupação, no entanto, não mede isoladamente cada uma dessas condições.

As diferenças também aparecem no recorte por cor ou raça. A taxa de desocupação entre pessoas brancas ficou em 4,2%, abaixo da média nacional. Entre os pretos, chegou a 6,9%, enquanto, para os pardos, foi de 6,1%.

A distância entre brancos e pretos alcançou 2,7 pontos percentuais. Proporcionalmente, a taxa das pessoas pretas ficou 64,3% acima da observada entre as brancas. Na comparação entre pardos e brancos, a diferença foi de 1,9 ponto, equivalente a 45,2%.

O quadro mantém um padrão já verificado pela Pnad Contínua.

Mesmo quando o nível geral de desemprego diminui, trabalhadores pretos e pardos permanecem com taxas superiores às registradas entre brancos.

O nível de instrução forma outra linha de separação. A menor taxa nacional foi registrada entre pessoas com ensino superior completo, em 3%. O percentual correspondeu a um terço dos 9% observados entre aqueles que começaram, mas não concluíram, o ensino médio — o maior patamar entre os grupos pesquisados.

Entre as pessoas sem instrução, a desocupação ficou em 4,4%. Para aquelas com ensino fundamental incompleto, foi de 5%. A taxa subiu para 6,2% no grupo com fundamental completo e chegou a 6,3% entre as pessoas que concluíram o ensino médio.

No grupo com ensino superior incompleto, a desocupação foi de 5,6%, quase o dobro da taxa registrada entre quem concluiu a graduação. Os dados indicam que a finalização do ciclo educacional influencia o acesso a postos de trabalho, principalmente nas ocupações formais que exigem certificação.

O percentual relativamente baixo entre pessoas sem instrução não significa que esse grupo tenha melhores condições de inserção. Parte dessa população pode estar fora da força de trabalho ou ocupada em atividades informais, precárias ou de baixa remuneração, situações que não são captadas diretamente pela taxa de desocupação.

No Rio Grande do Norte, a informalidade oferece outra dimensão da qualidade do emprego. A taxa ficou em 41,3% no segundo trimestre, pouco abaixo dos 41,5% registrados no período anterior. O Estado manteve a menor informalidade do Nordeste, posição ocupada desde o segundo trimestre de 2023.

Ainda assim, o percentual potiguar permaneceu acima da média nacional de 37,4%, embora abaixo dos 48,7% observados no Nordeste. O IBGE estima que 571 mil trabalhadores do Estado estavam em atividades informais entre abril e junho. O contingente inclui empregados do setor privado e trabalhadores domésticos sem carteira, trabalhadores por conta própria e empregadores sem CNPJ, além de familiares que ajudam em atividades econômicas sem receber salário.

O Estado também tinha 58 mil pessoas desalentadas, grupo formado por quem poderia trabalhar, mas deixou de procurar uma vaga por motivos como falta de experiência, qualificação ou oportunidades na localidade. O total ficou estatisticamente estável diante dos 60 mil registrados no primeiro trimestre, mas apresentou queda de 30,3% em relação ao segundo trimestre de 2025, quando havia 84 mil pessoas nessa situação.

Os indicadores mostram uma mudança no mercado potiguar: a desocupação atingiu o menor nível da série e o desalento recuou no intervalo de um ano. O quadro, porém, precisa ser observado juntamente com a informalidade, a renda e as diferenças nacionais por sexo, cor ou raça e escolaridade. A redução do número de pessoas à procura de trabalho representa apenas uma parte da dinâmica; a outra envolve quem consegue a vaga, em quais condições e com qual remuneração.

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