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Tesouro

Brasil capta € 5 bilhões em retorno ao mercado europeu após 10 anos

Emissão de títulos em três prazos ocorre após mais de dez anos e registra alta demanda de investidores
Por O Correio de Hoje
16/04/2026 | 16:14

O Tesouro Nacional concluiu nesta quarta-feira 15, a captação de 5 bilhões de euros em títulos no mercado europeu, marcando o retorno do Brasil a esse segmento após mais de dez anos. A operação foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante agenda oficial em Washington, onde participa de reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

A emissão foi estruturada em três prazos distintos, com 2 bilhões de euros em papéis com vencimento em 2030, 1,5 bilhão de euros para 2033 e outros 1,5 bilhão de euros para 2036, segundo estimativas de instituições financeiras internacionais envolvidas na operação. O Tesouro ainda divulgará detalhes sobre as taxas de juros e o spread em relação aos títulos do governo alemão, referência no mercado europeu.

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Ministro Dario Duringan fez o anúncio em evento do FMI, em Nova York - Foto: antônio cruz / agência brasil

De acordo com o ministro, a demanda pelos papéis superou as expectativas, evidenciando o interesse de investidores estrangeiros em ativos brasileiros. “Conseguimos uma captação histórica”, afirmou Durigan. “Voltamos ao mercado europeu com sucesso e vamos prospectar novos mercados até o fim do ano.”

A última emissão do Brasil em euros havia ocorrido em 2014, e a decisão de retomar esse mercado foi tomada após reuniões com investidores realizadas na véspera da operação, em um ambiente considerado favorável para captação externa. A operação foi coordenada por instituições como BBVA, BNP Paribas, Bank of America e UBS.

A iniciativa integra a estratégia do governo de diversificar fontes de financiamento e alongar o perfil da dívida pública, em meio a um cenário global ainda marcado por juros elevados. Durante a mesma agenda internacional, Durigan comentou a revisão da projeção de crescimento do Brasil pelo FMI, que passou a estimar expansão de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

O ministro ressaltou que o ambiente externo tende a impor limites ao crescimento econômico, mas reiterou o compromisso do governo com o ajuste fiscal. “O compromisso do governo é estabilizar e reduzir a trajetória da dívida pública no médio e longo prazo”, disse.

Sobre a estimativa do FMI de que a dívida bruta brasileira alcançará 100% do PIB em 2027, Durigan ponderou que há diferenças metodológicas entre os cálculos do Fundo e os adotados pelo governo brasileiro. O organismo internacional inclui na conta títulos do Tesouro em poder do Banco Central, utilizados para a condução da política monetária, enquanto esses papéis não são considerados nas estatísticas oficiais nacionais.