A governadora Fátima Bezerra (PT) disse que o vice-governador Walter Alves (MDB) demonstrou “fraqueza política” e “falta de espírito público” ao decidir não assumir o Governo do Estado. Em entrevista à TV Ponta Negra, Fátima classificou como “desculpa” o argumento de que Walter teria desistido de assumir o Executivo por temer a falta de recursos para o pagamento das folhas salariais.
Na avaliação da governadora, o rompimento foi politicamente injustificável. “Muito feio tudo isso. Mostrou fraqueza política, falta de espírito público, mas, enfim, eu já disse e volto aqui a dizer: cabe à população julgar”, declarou. Walter, que inicialmente era apontado como candidato governista à sucessão estadual, recusou-se a assumir o Executivo e passou a apoiar Allyson Bezerra (União), adversário do candidato do PT, Cadu Xavier. O movimento impediu a renúncia de Fátima Bezerra, que desejava ser candidata ao Senado.

Fátima rebateu ainda as previsões de que o Estado começaria a atrasar os salários a partir de março. “Nem atrasei março, nem atrasei abril, nem maio, nem junho, nem julho e nem vou atrasar agosto e nem vou atrasar nenhum mês até dezembro”, disse. Ela afirmou nunca ter ultrapassado o dia 5 para concluir o pagamento da folha durante sua gestão e classificou os que anunciavam um cenário de atraso como “adeptos da teoria do caos”.
A crítica foi feita no mesmo dia em que o Governo anunciou a antecipação de 40% do 13º salário dos profissionais ativos da educação e dos servidores da administração indireta.
ENDIREITA
A Justiça Eleitoral autorizou a inclusão do partido Mobiliza na coligação EnDireita RN, que tem Álvaro Dias (PL) como candidato ao Governo do Estado. Foi por pouco que não deu certo. A convenção do Mobiliza ocorreu no apagar das luzes — no último dia permitido, 5 de agosto, com inclusão da ata no sistema da Justiça Eleitoral às 23h01. Com a entrada do Mobiliza, a coligação passa a ter seis partidos: PL, Podemos, PSDB, Cidadania, Novo e agora Mobiliza.
CORREÇÃO
A Justiça Eleitoral consertou um erro no cadastro da candidatura de Milena Galvão, segunda suplente de Styvenson Valentim (Podemos) na disputa pelo Senado. Ela havia sido registrada no sistema CANDex como filiada ao PL, embora pertença ao PSDB, conforme comprovam as atas das convenções partidárias. O TRE-RN considerou a divergência um erro material e determinou a atualização dos dados, sem apontar irregularidade na filiação nem risco à candidatura. Milena é advogada, vice-prefeita de Currais Novos e irmã do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB).
RECURSOS AO TSE
O diretório estadual do PDT recorreu ao TSE contra a decisão do TRE-RN que desaprovou suas contas de 2022 e determinou a devolução de R$ 223,7 mil ao Tesouro Nacional, além de multa de R$ 22,3 mil. O valor total chega a R$ 246 mil e está relacionado a irregularidades na comprovação de despesas com recursos públicos, incluindo passagens aéreas e hospedagens de dirigentes. O partido sustenta que as faturas apresentadas são suficientes e pede que as contas sejam aprovadas com ressalvas. O recurso será julgado
PRESSÃO SOB INVESTIGAÇÃO
O TSE vai analisar recursos contra buscas, apreensões e quebras de sigilo telemático autorizadas em uma investigação sobre o suposto uso da estrutura da Prefeitura do Natal para constranger servidores comissionados e terceirizados a apoiar determinadas candidaturas nas eleições de 2024, mediante ameaças de exoneração ou demissão. Os investigados questionam a validade de gravações ambientais, a cadeia de custódia das provas e a coleta de dados referentes ao período iniciado ainda em 2023. O processo corre sob sigilo.