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Álvaro nega vínculo com pesquisas na mira do MP

Campanha afirma não ter participado da contratação ou execução dos levantamentos investigados pela Justiça Eleitoral
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02/09/2026 | 23:38

A campanha de Álvaro Dias (PL) negou, nesta quarta-feira 2, qualquer participação na contratação ou na realização das pesquisas eleitorais mencionadas pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) em parecer que aponta indícios de um esquema organizado de levantamentos fraudulentos no Rio Grande do Norte.

“As pesquisas citadas foram realizadas por empresas independentes e contratadas por terceiros, sem qualquer participação de Álvaro Dias ou de sua campanha na contratação, elaboração ou execução dos levantamentos”, afirma a campanha do candidato do PL, em nota à imprensa.

Álvaro Dias fala ao microfone durante evento político
Álvaro Dias negou vínculo com pesquisas investigadas pelo Ministério Público — José Aldenir/Agora RN

O parecer do MPE afirma que sete de 26 pesquisas registradas sobre a disputa pelo Governo do Estado entre abril e julho apresentaram irregularidades documentadas. Em comum a elas, a liderança de Álvaro Dias na disputa para o Governo, contrariando a maioria dos outros estudos registrados.

O MPE cita levantamentos dos institutos Veritá, PNH/Affare, Consult, Ipsensus e Média, além da repetição de falhas metodológicas, profissionais e possíveis conexões entre empresas. Como mostra o AGORA RN levantamento publicado nesta edição, seis pesquisas favoráveis ao candidato já tiveram a divulgação suspensa ou proibida pela Justiça Eleitoral.

A campanha de Álvaro Dias defendeu a investigação das irregularidades, mas afirmou ser necessário individualizar as responsabilidades. “O fato de um levantamento apontar determinado candidato na liderança não estabelece vínculo entre esse candidato, o instituto que realizou a pesquisa ou quem a contratou”, declarou. O comunicado acrescenta que Álvaro respeita a atuação do Ministério Público e considera que os responsáveis devem prestar os esclarecimentos necessários.

A nota cita ainda uma nova pesquisa Média/O Potengi, divulgada na terça-feira 1º, que apresentou Allyson Bezerra (União) na liderança para o Governo. “A campanha de Álvaro Dias igualmente não teve qualquer participação na contratação ou realização dessa pesquisa”, ressalta a nota, complementando que o grupo “reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições.”

Oligarquia eleita

José Agripino Maia rebateu o uso do termo “oligarquia” para desqualificar sua trajetória e a de outros políticos tradicionais do Rio Grande do Norte. O ex-senador lembrou que exerceu os mandatos de governador e senador após vencer eleições e classificou a acusação como um “argumento bobinho” e uma “brincadeira de mau gosto”. “Mas, quando a pessoa é eleita para funções públicas pelo voto direto de milhares de pessoas, é a oligarquia do povo. É a oligarquia outorgada pelo povo. Assim é que eu me considero”, afirmou.

Lexotan

O senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da CCJ do Senado, ofereceu um remédio ao senador Rogério Marinho (PL-RN), que estava exaltado ontem durante a votação da proposta que acaba com a escala 6×1. “Vossa Excelência está muito nervoso hoje. Eu trouxe até Lexotan, se o senhor quiser. Quer o Lexotan?”, perguntou Otto.

Item

O TRE-RN proibiu definitivamente, em julgamento nesta quarta-feira, a divulgação da pesquisa RN-07966/2026, realizada pela Item Pesquisas Técnicas, e aplicou multa de R$ 53.205 à empresa. A ação do PSD foi acolhida porque o instituto não informou os bairros ou áreas abrangidas pelo levantamento, falha que, segundo a Corte, não foi suprida pela apresentação de coordenadas de GPS e macrorregiões. O Tribunal não identificou fraude ou má-fé, mas equiparou a pesquisa a um levantamento não registrado em razão da deficiência no detalhamento geográfico.

Ameaças na prisão

Daniel Vorcaro afirmou ter sofrido tortura psicológica, maus-tratos e ameaças de agentes da Polícia Federal durante o período em que esteve preso. Em depoimento prestado a um juiz auxiliar do ministro André Mendonça e a um procurador da República, o ex-banqueiro relatou que foi vendado durante uma transferência, permaneceu sob forte calor em um camburão e chegou a ser ameaçado dentro de um avião. Segundo sua versão, um agente teria dito: “A gente pode te jogar daqui de cima. Ninguém vai duvidar se a gente disser que você se jogou”. Integrantes da PF e da PGR contestaram o relato e afirmaram que Vorcaro não apresentou provas concretas das acusações.