Eu liguei para o vice-governador Walter Alves na tarde de ontem. Antes de dizer alô, perguntei logo:
— É para chamar governador ou deputado?

— Deputado, deputado — me disse Walter, sem esconder o riso.
Na passagem por Brasília, nesta semana, Walter conquistou três vitórias importantes: a recondução para presidir o diretório estadual do MDB até 2027, a carta branca para firmar as alianças políticas e a garantia de um robusto fundo partidário para pavimentar as candidaturas da legenda.
Ontem, ele informou que vai anunciar formalmente duas decisões que já tomou:
— Diógenes, eu serei pré-candidato a deputado estadual e cumprirei o prazo legal para desincompatibilização do cargo de vice-governador, previsto para o dia 4 de abril. E ponto — disse, taxativo.
Muito se especula sobre as alianças de Walter para as eleições de 2026. Há quem dê como certo o entendimento entre MDB e PT, com o vice-governador apoiando Cadu Xavier para o governo e Fátima Bezerra para o Senado.
Nada disso estará na pauta do próximo dia 15 de janeiro, quando Walter se reunirá com a governadora
— Só vou dizer que não vou assumir o governo e serei pré-candidato a deputado. Nada mais — repetiu para ser claro.
O que passar disso é pura especulação.
A coluna apurou que, antes de conversar com Fátima, Walter trocará dois dedos de prosa com o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, além de líderes da União Progressista (União Brasil/PP).
Portanto, Walter mantém o diálogo com o grupo que faz oposição à líder petista.
A meu ver, Walter Alves ainda vai levar um bom tempo para fechar o apoio do MDB na sucessão estadual.
Se ele entregar seus ativos agora, perderá força política na definição, por exemplo, das nominatas para deputado estadual e federal.
Um político experiente me dizia outro dia que a composição de chapas para as eleições proporcionais tem sido uma das coisas mais difíceis dos últimos tempos, pelas regras e pela concorrência. Quem errar na articulação corre o risco de ficar sem mandato.
E Walter não quer cometer este erro.
Nominata
Walter Alves não antecipou a definição da chapa que mais lhe interessa — a de deputado estadual. Limitou-se a dizer que a nominata do MDB será forte, com quatro ou cinco nomes detentores de mandato.
O que diz a rua
Quando o assunto é a nominata do MDB para a Assembleia Legislativa, o que diz a rua? Especula-se o seguinte time — sujeito a novas escalações: além de Walter Alves, Ezequiel Ferreira, Neilton Diógenes, Ubaldo Fernandes, Nelter Queiroz, Hermano Morais, Carlos Eduardo Alves, Kaline Amorim (esposa do Dr. Bernardo) e Gustavo Soares.
Inclusão
Por falar em nova escalação, ontem o ativista e influenciador social Ivan Baron assinou a ficha de filiação ao MDB, com direito à abonação de Walter Alves. Baron era nome dado como certo no PV, mas preferiu a perspectiva de presidir o MDB Jovem.
Transição
Allyson Bezerra já começou a arrumar as gavetas para deixar a Prefeitura de Mossoró em abril. Como sinal desse movimento, anunciou mudanças em nove secretarias e órgãos da administração direta. É o início da transição de gestão para o vice-prefeito Marcos Medeiros, homem de sua estreita confiança.
Veto do barulho
O governo buscou justificar ontem o veto ao projeto de lei que trata do repasse automático de ICMS, IPVA e Fundeb aos municípios. Segundo a Procuradoria-Geral do Estado, a proposta fere as constituições estadual e federal ao interferir na gestão do Tesouro Estadual. No caso do Fundeb, o regime jurídico tem como base uma lei federal.