Quando a então governadora Wilma de Faria lutou pela construção do Terminal Pesqueiro de Natal, vislumbrava um salto de valor para uma das vocações do nosso estado — o pescado. É tempo de revisitar aquela aspiração e transformá-la em realidade concreta. Para tanto, todos precisamos nos unir com estratégia e determinação.
A razão dessa urgência está no paradoxo que acomete nossa pesca de atum: produzimos peixe de excelente qualidade na costa potiguar, exportamos em estado bruto e depois importamos o mesmo atum processado, em latinhas, para consumo interno.

A inversão dessa lógica exige que o processamento ocorra aqui, com agregação de valor, geração de empregos e retenção de riqueza no RN. Para isso, precisamos de estrutura portuária moderna que atraia fábricas de processamento e embalagem de pescado com logística integrada — isto é exatamente a vocação do que denominamos “Porto Pesqueiro de Natal”.
Mas a potencialidade do Porto Pesqueiro vai além do pescado. Um terminal bem equipado pode servir como polo de manutenção e prestação de serviços a embarcações de fora que navegam na costa potiguar. Em vez de rumarem para outros portos ou países em busca de reparos, esses navios podem vir para cá, gerando divisas externas, movimentando cadeias de suprimentos e fomentando a economia de Natal.
Recentemente, o Porto Pesqueiro de Natal foi privatizado em leilão federal. A empresa vencedora, Turc Operações Marítimas, comprometeu-se com investimentos em modernização e operação. Mas um “calcanhar de Aquiles” permanece: os acessos rodoviários.
Apesar das obras portuárias estarem quase concluídas (95%) desde 2010, nunca entraram em operação e não tem infraestrutura de acesso. Agora, a FIERN articula com os governos estadual e federal um aporte de R$ 11 milhões para obras de acesso ao porto. A prefeitura de Natal já se comprometeu a participar da empreitada por reconhecer sua importância, inclusive, para revitalização da Ribeira.
Este é o momento de confluência: empresários, mídia, setor pesqueiro e órgãos públicos devem formar uma frente plural para destravar esse gargalo logístico. Se construirmos acessos e atrairmos indústrias de processamento podemos transformar o que até agora era “terminal inoperante” num epicentro de transformação econômica regional.
Caso contrário, veremos novamente o peixe sair para o mundo, o valor agregado escapando e oportunidades desperdiçadas. Precisamos atuar com convicção e cooperação para, finalmente, afirmar que o RN não só captura atum, mas processa, valoriza e exporta. Eternizamos, assim, o legado de Wilma e damos a Natal e ao RN uma nova fonte de desenvolvimento.