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Diógenes Dantas

União para vencer o individualismo

Confira a coluna de Diógenes Dantas desta quinta-feira 22
Diógenes Dantas
22/01/2026 | 06:56

Álvaro Dias conquistou o que mais desejava nesta fase pré-eleitoral: ser escolhido candidato ao governo no campo da centro-direita.

Não foi fácil. O caminho se mostrou tortuoso — foi candidato de si mesmo, andou conversando com Allyson Bezerra, levou bordoadas do seu ex-aliado Carlos Eduardo Alves, enfrentou a concorrência de Styvenson Valentim e aceitou ser o plano B de Rogério Marinho.

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Álvaro Dias escolhido candidato ao governo no campo da centro-direita. - Foto: JOSÉ ALDENIR / AGORA RN

Mas, ao fim e ao cabo, prevaleceu sua obstinação para se colocar na disputa, enfrentando as incertezas e algumas vicissitudes.

Ninguém põe em dúvida que Álvaro tem coragem de “mamar em onça” para vencer uma eleição.
No evento do Partido Liberal, ontem pela manhã, muito se falou em “união do time dos sonhos” para as eleições de outubro. Havia uma energia positiva no ar, que emanava confiança.

Mais do que nunca, Álvaro Dias vai precisar dessa “união” de esforços para buscar o voto do eleitor. Afinal, não bastará sua vontade.

O agora pré-candidato ao governo pode ser tragado pelo excesso de individualismo das principais lideranças políticas que o cercam. E é aí que mora o perigo.

Rogério Marinho, por exemplo, cuidará de uma campanha presidencial, rodando o Brasil. Sobrará pouco tempo para se dedicar ao Rio Grande do Norte.

Styvenson Valentim estará voltado para sua reeleição. Notabilizou-se por um perfil narcísico e grandioso, focado na própria imagem. “Sem metas cumpridas, acabou-se. Daqui a quatro anos, sou candidato”, disse o senador, para todo mundo ouvir.

E o prefeito Paulinho Freire? Alguém duvida que toda sua energia será destinada à eleição da esposa, Nina Souza, para a Câmara dos Deputados?

Uma coisa é o discurso. Outra coisa é a realidade da campanha.

Como lembrou ontem Rogério, Álvaro é um político experiente, grande conhecedor da guerra eleitoral. O primeiro desafio é juntar seus exércitos.

Voz embargada

Rogério Marinho se emocionou em duas ocasiões durante a fala aos aliados do PL: ao comentar a prisão de Jair Bolsonaro e ao recordar que sonha governar o Estado desde os dez anos de idade.

Sincerão

Diante da plateia de seguidores do ex-presidente Jair Bolsonaro, Styvenson Valentim foi sincero: “Não sou bolsonarista, mas temos ideias semelhantes. Temos ideias alinhadas”, declarou o senador.

Brainstorm

Enquanto Rogério anunciava a candidatura de Álvaro Dias no ato do PL, o staff político de Fátima Bezerra estava reunido na Governadoria, elocubrando estratégias para enfrentar os adversários. A primeira preocupação é com a competitividade do campo da esquerda, que, para alguns, estaria abalada.

Jogando verde

Rivaldo Fernandes se movimentava ontem para abrir diálogo com Carlos Eduardo Alves. Segundo o dirigente do PV, há espaço para discutir uma aliança do ex-prefeito com a governadora Fátima Bezerra. Será?

Cabeça de chapa

Além do PV, há quem veja a possibilidade de filiar Carlos Eduardo Alves ao PSB para ser o candidato da esquerda ao governo. O cenário é considerado pouco provável por boa parte do PT, já fechado com outro Carlos — o Cadu.