Há revoluções que não fazem barulho. Cabem na ponta do dedo — e, ainda assim, movem o mundo. Os semicondutores, esses “cérebros” invisíveis que operam do celular ao carro, expõem uma fragilidade crônica do Brasil: dependência externa. China e Taiwan falam a língua que abastece nossas linhas de produção. Quando esse idioma falha, como na pandemia, o país para — e a conta chega em forma de inflação e escassez.
Agora, uma virada começa a ser desenhada dentro da Universidade de São Paulo. A chamada Pocket-Fab — uma fábrica de chips de bolso — rompe a lógica dos megacomplexos industriais. Em apenas 150 metros quadrados, com investimento de R$ 89 milhões, o projeto nasce com ambição de produzir milhões de unidades por ano e, sobretudo, de ser replicado. A meta é clara: espalhar polos pelo país e construir autonomia tecnológica.

O conceito é simples e poderoso: levar a indústria até onde está a demanda. Não se trata apenas de fabricar chips, mas de reorganizar o mapa produtivo brasileiro. Há insumos, há energia, há conhecimento. Falta articulação.
A iniciativa já nasce conectada ao setor produtivo. A Federação das Indústrias de São Paulo e o Senai entram como parceiros para alinhar as Pocket-Fabs às necessidades reais do mercado — um elo essencial para transformar pesquisa em escala industrial.
É aqui que entra o Rio Grande do Norte.
O estado reúne condições estratégicas: matriz energética competitiva, potencial logístico, vocação industrial em expansão e, não menos importante, capital humano em formação. Mas oportunidade, na política e na economia, não bate duas vezes à mesma porta.
Se a Pocket-Fab é o embrião de uma nova política industrial, o RN precisa se colocar na mesa — e rápido. Governantes, bancada federal, setor produtivo e academia têm diante de si uma agenda objetiva: pleitear uma dessas unidades, atrair investimentos associados e inserir o estado na cadeia global de tecnologia.
A Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte pode capitanear muito bem essa iniciativa.
Linha ocupada
Flávio Rocha se filiou ao Partido Novo e transferiu o domicílio eleitoral para o Rio Grande do Norte. A informação é do presidente estadual da legenda, Renato Cunha Lima Filho. A sigla ainda busca entendimento com o PL para lançá-lo ao Senado no campo da direita. Difícil. A linha já está ocupada por Styvenson Valentim e Coronel Hélio.
Peito catolaico
Bibi Costa decidiu disputar uma vaga na Assembleia Legislativa após o deputado estadual Vivaldo Costa, seu irmão, confirmar que não tentará a reeleição. O ex-prefeito de Caicó afirma que a decisão passa pela lealdade política e pela necessidade de manter a representação do Seridó.
— Se Vivaldo fosse candidato, a vaga era dele — disse à 95 FM Caicó.
Zap oficial
Rogério Marinho acionou a Justiça Federal contra a União e o ex-ministro Fernando Haddad. Pede, em ação popular, a suspensão imediata do disparo de mensagens personalizadas via WhatsApp, com uso da estrutura do Gov.br, sobre a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. O senador alega desvio de finalidade e afronta aos princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa.
Vendedor de sonhos
O partido Avante anunciou que o escritor e psiquiatra Augusto Cury, de 67 anos, é pré-candidato à Presidência da República.
— Meu objetivo é contribuir para a construção do Brasil dos nossos sonhos — disse Cury, sem demonstrar grande ansiedade pelo cargo.