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Informe do Correio

Trump dá fôlego a Flávio

Confira os destaques da coluna Informe do Correio, publicada em O CORREIO DE HOJE nesta sexta-feira 29
Por O Correio de Hoje
29/05/2026 | 15:59

A ida de Flávio Bolsonaro a Washington ganhou novo peso político após o governo dos Estados Unidos anunciar a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A medida foi defendida pelo senador do PL e ocorreu dois dias depois de seu encontro com Donald Trump na Casa Branca.

A foto com o presidente americano já havia sido comemorada por aliados de Flávio. O registro ajudou o senador a deslocar o foco das notícias sobre o caso Master e abriu espaço para que ele aparecesse associado a uma pauta de forte apelo junto ao eleitorado de direita, a defesa de medidas mais duras contra o crime organizado.

Informe do Correio

O anúncio da Casa Branca, porém, também ampliou o debate sobre os efeitos da decisão para o Brasil. A classificação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas pode ter impacto sobre a cooperação entre os dois países, a concessão de vistos, relações comerciais e discussões sobre soberania nacional.

O governo brasileiro vinha tentando evitar essa medida havia mais de um ano. Nesse período, representantes dos Estados Unidos procuraram o Itamaraty e o Ministério da Justiça em busca de informações sobre as facções. A posição brasileira era manter a cooperação no enfrentamento ao crime organizado, mas sem enquadrar oficialmente os grupos como terroristas.

A preocupação em Brasília é que a nova classificação altere a forma de atuação americana no tema. O combate ao terrorismo envolve agências e protocolos diferentes daqueles usados tradicionalmente na cooperação policial e antidrogas. Também há receio de que a decisão seja usada pelo governo Trump para justificar ações unilaterais em território estrangeiro, sob o argumento de combate ao chamado “narcoterrorismo”.

No campo político, a medida tende a favorecer Flávio no curto prazo. O senador poderá apresentar a decisão como resultado de sua aproximação com Trump e como demonstração de força internacional em uma área sensível para a campanha, a segurança pública. Para o governo Lula, a reação exige cautela. Uma contestação mais dura pode ser explorada por adversários como defesa indireta das facções. A aceitação silenciosa, por outro lado, pode ser vista como fragilidade diante de uma decisão estrangeira com possíveis efeitos sobre o país.

A dúvida é se o ganho político imediato se sustentará até a campanha. A mesma decisão que dá fôlego a Flávio também pode abrir uma discussão incômoda sobre dependência externa, interferência americana e riscos à soberania brasileira.

PSDB vai reunir pré-candidatos para definir posição em 2026

O PSDB do Rio Grande do Norte vai reunir, nos próximos dias, seus pré-candidatos proporcionais para discutir o posicionamento do partido na disputa pelo Governo do Estado em 2026. A reunião ampliada será a tentativa de organizar uma legenda que chega à pré-campanha com nominata forte, mas dividida entre os principais palanques estaduais.

A bancada tucana na Assembleia Legislativa decidiu tomar uma posição conjunta. O entendimento foi fechado em reunião com o presidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira, a deputada Cristiane Dantas, o deputado Taveira Júnior e o prefeito de Parelhas, Dr. Tiago Almeida. Também participaram a médica Júlia Almeida, pré-candidata a deputada estadual, e o ex-vice-governador Fábio Dantas.

A divisão interna, porém, permanece. Ériko Jácome, presidente da Câmara de Natal, deve apoiar Álvaro Dias, do PL. Gustavo Soares, ex-prefeito de Assú, caminha com Cadu Xavier, do PT. Daiana Valentim, primeira-dama de Pedro Velho, declarou apoio a Allyson Bezerra, do União Brasil.

O PSDB tem 12 nomes para deputado federal, dos quais poderá escolher 9. Para a Assembleia, a nominata é considerada fechada. O peso da legenda está no tempo de televisão, na estrutura proporcional e na força política de Ezequiel no tabuleiro estadual potiguar em 2026. O PSDB tem uma federação com o Cidadania.

Álvaro evita comentar PEC do fim da escala 6×1

A aprovação da PEC que acaba com a escala 6×1 colocou os pré-candidatos ao Governo do RN diante de uma pauta de forte apelo popular. Enquanto Allyson Bezerra, do União Brasil, e Cadu Xavier, do PT, correram para comemorar publicamente o avanço da proposta, Álvaro Dias, do PL, preferiu o silêncio.

A movimentação tem peso eleitoral. A bancada federal potiguar votou integralmente a favor da PEC na Câmara, inclusive deputados que antes haviam defendido mudanças no texto, como General Girão, do PL, Sargento Gonçalves, do PL, e João Maia, do PP. A proposta reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, sem perda salarial, e prevê duas folgas por semana.

Allyson gravou vídeo chamando a aprovação de “vitória para os trabalhadores do Brasil” e reforçou sua origem popular. Cadu apareceu de boné com a frase “Fim da 6×1” e cobrou vigilância no Senado.

O silêncio de Álvaro contrasta com a posição de Rogério Marinho, senador do PL, que apresentou uma PEC alternativa de horário flexível. Na prática, a pauta virou teste de sensibilidade social para quem disputará o voto dos trabalhadores em 2026. Também expõe o desconforto de candidatos entre o discurso pró-emprego e a pressão das bases empresariais.