O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta terça-feira 15 uma sessão histórica. A partir das 10h, o plenário analisará o relatório da Polícia Federal que aponta Alexandre de Moraes como interlocutor do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A expectativa é pela abertura de uma investigação contra Moraes.
O roteiro divulgado pela Corte é formalmente semelhante ao de qualquer julgamento, mas o objeto da análise, os personagens envolvidos e a crise institucional instalada dão à sessão um caráter extraordinário. Tudo em sessão pública, transmitida pela TV Justiça.

Depois da abertura dos trabalhos e da aprovação da ata do julgamento anterior, o relator apresentará seu relatório. A Procuradoria-Geral da República (PGR) poderá se manifestar antes do início da votação. Depois disso, será aberta a opção de sustentações orais, momento em que Moraes poderá se pronunciar sobre os fatos relatados.
Edson Fachin, presidente do STF e relator do caso Master desde que afastou André Mendonça do comando da investigação, então será o primeiro a votar. Na sequência, os demais ministros apresentarão suas posições. Um pedido de vista poderá interromper o julgamento por até 90 dias.
A normalidade prevista no rito contrasta com a operação de segurança organizada para Brasília. A Praça dos Três Poderes ficará inacessível a visitantes e manifestantes, com bloqueio da Esplanada dos Ministérios na altura da Avenida José Sarney. A ação envolve a Polícia Judicial, as forças de segurança do Distrito Federal, o Comando Militar do Planalto, as Forças Armadas e o Gabinete de Segurança Institucional. Dentro do Supremo, o plenário será restrito às pessoas autorizadas pelo Cerimonial, e os celulares deverão permanecer desligados e guardados em sacolas lacradas.
A tensão também estará do lado de fora. Para as 9h, uma hora antes da sessão, estão previstos protestos contra Moraes convocados pelo candidato à Presidência Romeu Zema (Novo).
Pressão sobre Mendonça
André Mendonça avaliou, em conversas com aliados, que a operação da Polícia Federal contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP), autorizada por Flávio Dino, foi uma tentativa de intimidá-lo e desgastá-lo em meio à crise no Supremo. Próximo do ministro e um dos articuladores de sua indicação à Corte, Cezinha é investigado por suspeita de “comercialização de influência” junto a tribunais superiores.
Campanha antecipada
O TRE-RN condenou, por unanimidade, nesta segunda-feira 14, o candidato ao Governo do Estado Allyson Bezerra (União) e o prefeito de Caicó, Dr. Tadeu (PSDB), por propaganda eleitoral antecipada. Allyson terá de pagar multa de R$ 5 mil. A decisão envolve um evento realizado em 6 de maio, transmitido pelo YouTube e divulgado no Instagram, no qual Tadeu declarou apoio a Allyson e afirmou que “o povo do Rio Grande do Norte já escolheu” o então pré-candidato. Para o tribunal, as falas continham expressões equivalentes a pedido de voto e ultrapassaram os limites da pré-campanha.
Turma de Bolsonaro
Cadu de Lula (PT) usou a Operação Sem Lastro, deflagrada pela PF contra o deputado Luiz Eduardo (PL), como estratégia para fustigar os adversários. Em vídeo nas redes sociais, o candidato a governador declarou: “É claro que não é normal esse volume de dinheiro vivo, mas é o padrão nacional dessa turma de Flávio Bolsonaro. Aqui não seria diferente”.
Eleição apertada
O chairman e sócio-fundador do BTG Pactual, André Esteves, prevê uma disputa presidencial equilibrada. “ Acho que a eleição será de 51% a 49%, só não sabemos para quem, porque a disputa é muito competitiva”, afirmou.