Romeu Zema (Novo) escolheu uma frase sem margem para dúvida para apresentar ao País o eixo de sua candidatura à Presidência da República: “Primeiro, eu quero privatizar tudo, a começar pela Petrobras.” Na sabatina promovida pela GloboNews ontem, o ex-governador de Minas Gerais colocou a venda de estatais no centro do “choque” fiscal que pretende aplicar caso chegue ao Palácio do Planalto.
A promessa radical, entretanto, esbarra no próprio currículo apresentado por Zema. Embora sustente ter privatizado 118 empresas em Minas, ele deixou o governo sem concluir a venda da Cemig, uma de suas principais promessas eleitorais.

Questionado, atribuiu o insucesso à falta de alianças políticas no primeiro mandato e afirmou que uma eventual vitória presidencial lhe dará força para avançar. “Agora, sendo eleito presidente do Brasil, eu vou assumir com capital político”, declarou.
Zema tenta transformar essa frustração estadual em experiência acumulada para uma ofensiva nacional muito mais ambiciosa. “Para mim, foi uma curva de aprendizado. Eu vou chegar em Brasília muito mais bem preparado”, afirmou.
O argumento será colocado à prova durante a campanha: se não conseguiu vencer as resistências políticas para vender a companhia energética de Minas, precisará explicar como pretende viabilizar a privatização da Petrobras, empresa de dimensão econômica, estratégica e simbólica incomparavelmente maior.
O pacote não se limita às estatais. O candidato propõe reduzir o número de ministérios, enxugar a administração federal, promover reformas administrativa e previdenciária e alterar os programas sociais.
Segundo Zema, quatro medidas na área fiscal permitiriam ao governo economizar aproximadamente R$ 1 trilhão em 20 anos.
Argumento frágil
A oposição ao Governo Fátima tentou desmerecer o avanço na nota do Ideb alcançada pela rede estadual de ensino. A alegação é que o crescimento teria sido “fabricado” a partir da medida que autorizou alunos a passarem de ano com até 6 disciplinas de dependência.
A análise dos dados mostra, porém, que poucos estudantes foram beneficiados com a política. Apenas 1.678 alunos passaram de ano no último ciclo com 4, 5 ou 6 disciplinas pendentes. A rede estadual tem 108 mil estudantes.
Arsban
A Câmara Municipal de Natal aprovou ontem a indicação do ecologista Thiago Mesquita para o cargo de diretor-presidente da Agência Reguladora de Serviços de Saneamento Básico do Município de Natal (Arsban).
Foram 20 votos a favor e 1 contrário — oito vereadores estavam ausentes. Com a aprovação, Mesquita deixará o comando da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), cargo que ele ocupa desde novembro de 2019. Seu substituto não foi anunciado.
Crítica
A vereadora Samanda Alves (PT) foi a única parlamentar a votar contra a indicação de Mesquita para a Arsban, pela participação do secretário na obra de engorda da praia de Ponta Negra.
“Nós perdemos o maior cartão-postal da nossa cidade, um dos maiores do nosso estado, por problemas técnicos na obra. Quem esteve à frente da obra da engorda em Ponta Negra não pode estar à frente da Arsban”, afirmou a candidata ao Senado.
Maxaranguape
O TRE-RN negou ontem novos recursos apresentados pela prefeita de Maxaranguape, Professora Nira (PSD), e pelo vice-prefeito Evanio Pedro (SDD), contra a decisão que cassou a chapa, eleita em 2024.
Com a rejeição dos embargos por unanimidade, a cassação está mantida e o município deverá passar por eleições suplementes para eleger um prefeito e um vice para encerrarem o mandato. Até lá, quem deverá assumir o cargo de forma interina é Daya Sobrinho (PSD), presidente da Câmara Municipal.