Se você perguntar a um cardiologista qual seu maior desafio, ele vai dizer que é convencer o paciente a se exercitar. Um nutricionista? Fazer o cliente seguir a dieta. Um advogado? Que os juízes leiam seus processos com atenção. Agora, se a pergunta for para um consultor em gestão pública, a resposta é quase sempre a mesma: fazer os gestores planejarem.
Mas essas atitudes não deviam ser óbvias? Deviam. Mas infelizmente não são. No caso da gestão pública em que os destinos de populações inteiras estão a mercê de políticas como saúde, educação, segurança, infraestrutura, emprego… isso se torna ainda mais grave. Afinal, planejamento é a base para tudo isso. A verdade é que, na prática, a rotina do gestor público é outra: é evento atrás de evento, reunião de última hora, crise para resolver, demanda urgente para atender.

Planejar? Só se sobrar tempo – e nunca sobra. O problema é que, sem planejamento, os problemas se multiplicam, e o gestor vira um bombeiro profissional, correndo de um lado para outro para apagar incêndios que poderiam ter sido evitados.
E aí vem o ciclo vicioso: quanto menos ele planeja, mais problemas surgem. Quanto mais problemas, menos tempo para planejar. Resultado? Gestão no improviso, estresse constante e resultados aquém do esperado. O pior é que isso mina a própria força política do gestor: quem só apaga fogo não constrói legado.
A solução? Quebrar o círculo vicioso e entrar no virtuoso. Como?
- Ter metas claras – Saber exatamente aonde quer chegar.
- Listar prioridades – Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo.
- Dividir tarefas e prazos – Ninguém governa sozinho.
- Acompanhar resultados – Se não medir, não melhora.
Parece simples, mas exige disciplina – e, muitas vezes, ajuda de ferramentas e técnicas que tornem o processo mais ágil. O desafio é começar: o primeiro passo para sair do modo “apagar incêndio” é reservar tempo para planejar. Quiçá, um horário fixo em toda semana ou quinzena.
Quem faz isso descobre que, quanto mais se planeja, menos crises aparecem. E, com menos crises, sobra tempo para… planejar mais. É um ciclo que se retroalimenta, só que, desta vez, para o bem. No fim, gestão pública eficiente não é sobre sorte – é sobre estratégia. E essa começa no planejamento.
Quem planeja governa melhor. E quem governa melhor, dura mais. Pense nisso.