O anúncio da nova etapa do PAC na modalidade Drenagem Urbana Sustentável, feito no último dia 18, trouxe um incômodo para o RN: apenas dois municípios foram contemplados. Natal e Assú conseguiram aprovar projetos, enquanto o restante do Estado ficou de fora. O contraste com outros estados nordestinos, que garantiram dezenas de projetos, revela falta de atenção e de capacidade de articulação que marca a gestão potiguar.
Natal se destacou com dois projetos, que somam R$ 125 milhões. O principal é o túnel da Arena, uma obra de drenagem que deveria ter sido entregue na Copa de 2014, mas que permaneceu inconclusa, causando alagamentos frequentes em bairros como Lagoa Nova, Cidade da Esperança, Nazaré, Bom Pastor e Quintas. Agora, finalmente, a capital vai resolver esse problema histórico. Outro projeto aprovado atende a Comunidade Jacó, nas Rocas, uma das áreas de risco de Natal, que terá uma solução definitiva com obras de proteção e urbanização. Em Assú, o mérito foi da prefeitura que conseguiu apresentar sua proposta garantindo R$ 11,5 milhões, dentro das regras técnicas, conquistando recursos importantes.

No entanto, o balanço geral para o Rio Grande do Norte é negativo. O Governo do Estado tinha direito de apresentar até três propostas, cada uma da ordem de R$ 50 milhões, mas simplesmente perdeu o prazo. Deixou escapar cerca de R$ 150 milhões que poderiam se transformar em obras estruturantes de drenagem em diferentes regiões do estado. Não se trata de falta de oportunidade, mas de ausência de planejamento e de diligência. Além do governo estadual, outros municípios de médio e grande porte — que também poderiam participar — não se mobilizaram. Enquanto isso, estados vizinhos como Bahia (43), Pernambuco (9) e Ceará (8), cumpriram os requisitos e garantiram dezenas de projetos, assegurando investimentos bilionários.
Essa diferença não é casual: ela mostra a importância da gestão proativa, da preparação técnica e da agilidade administrativa. O PAC não é uma disputa política, mas uma política pública baseada em critérios claros: projetos de engenharia, licenciamento ambiental, delimitação de áreas de risco, comprovação de titularidade. Quem se preparou, conquistou; quem perdeu prazos, ficou de mãos abanando.
O resultado deveria servir como um alerta. Em um estado que convive há anos com os dramas de enchentes e alagamentos, não é aceitável perder oportunidades dessa magnitude. Natal e Assú merecem reconhecimento pela conquista, mas o RN como um todo perdeu mais uma chance de transformar vulnerabilidade em desenvolvimento.