A Operação Mederi, desencadeada pela Polícia Federal em atuação conjunta com a Controladoria-Geral da União, provocou um enorme estrago na imagem do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra.
Líder nas pesquisas eleitorais para o Governo do Estado, Allyson amargou ontem uma exposição negativa em nível nacional, protagonizando as manchetes e menções sobre as investigações de contratos fraudulentos na área da saúde.

Por sinal, o “mederi” — que nomeia a ação — vem do termo em latim que significa “curar” ou “cuidar”.
Ao todo, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão em oito municípios, envolvendo prefeitos, secretários de saúde, servidores públicos e empresas.
Segundo o último balanço da PF, foram apreendidos R$ 251 mil, 33 celulares, 34 dispositivos eletrônicos (entre notebooks, tablets e HDs) e quatro veículos automotores, além de 117 documentos.
As investigações apontam indícios de irregularidades em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde. Auditorias da CGU identificaram falhas na execução contratual, como não entrega de materiais, fornecimento inadequado e sobrepreço.
Os investigados, entre os quais figura o prefeito Allyson Bezerra, poderão responder por crimes relacionados a desvios de recursos públicos e fraudes em contratações administrativas.
O prefeito de Mossoró emitiu nota — também gravou vídeo — para negar as acusações e atribuir tudo ao ano eleitoral.
Terá que fazer muito mais do que isso para superar o problema. Apesar de jovem, Allyson sabe que nenhum político consegue levar adiante uma campanha eleitoral com a reputação em cheque, sob suspeita de corrupção.
A oposição a Allyson sentiu o cheiro de sangue e partiu para cima do prefeito.
Desde ontem, a turma do PT — Cadu Xavier, Isolda Dantas, Samanda Alves, Natália Bonavides, Fernando Mineiro, entre outros — tenta nocautear Allyson, batendo sem dó nem piedade.
Contudo, ainda é cedo para saber se ele cairá de vez. Por ora, o prefeito apenas dobrou as pernas — segue de pé, mas visivelmente zonzo.
CEI da propina
A vereadora Plúvia Oliveira (PT) não perdeu tempo. Logo após a deflagração da Operação Mederi, protocolou um pedido para a abertura de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) sobre o escândalo de propina na saúde. “O povo de Mossoró precisa de respostas!”, disse.
Merderê
De um gaiato, mirando a sede da Prefeitura de Mossoró, na manhã de ontem:
— A operação da PF que “pegou” Allyson está mais para merderê.
Cai o pano.
Corte de emenda
Após o episódio envolvendo Allyson, boa parte da bancada federal ficou de orelha em pé. A reclamação de Styvenson Valentim sobre bloqueios orçamentários, protocolada no STF ao ministro Flávio Dino, pode render muita dor de cabeça a Robinson Faria, Benes Leocádio, Natália Bonavides, João Maia, Fernando Mineiro e Zenaide Maia — alvos da ira do senador.
Parasitas…
De Jean Paul Prates, em cima da provocação do cientista Miguel Nicolelis:
— Chamar datacenters de parasitas ignora sua função sistêmica. Eles são hoje tão essenciais quanto portos, redes elétricas ou telecomunicações. Não há inteligência artificial, ciência de dados, automação industrial, medicina de precisão ou pesquisa de ponta sem capacidade computacional em escala — disse Prates.
…digitais
Jean Paul completou:
— O ponto central não é se o Brasil deve ou não atrair datacenters. A pergunta correta é quais datacenters, onde, com que fonte de energia e com quais contrapartidas.