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Artigo

Oiticica: o começo da esperança, mas não o fim do caminho

Confira o artigo de Vagner Araújo nesta terça-feira 25
Vagner Araújo
25/03/2025 | 06:15

A Barragem de Oiticica, inaugurada agora no sertão do Seridó, é uma grande conquista. Água represada, sonho antigo realizado. É o tipo de obra que enche os olhos: um “mar de água doce” onde antes só se via o chão rachado de sol. Mas isso é pra ser só o começo.

Afinal, “água parada não mata sede”. De que adianta tanta água represada se ela não chegar na torneira de quem precisa, no bebedouro do rebanho ou no chão da roça para germinar semente? A barragem é importante, sim senhor, mas não resolve tudo sozinha.

Barragem de Oiticica. Foto: Reprodução/Instagram.
Barragem de Oiticica. Foto: Reprodução/Instagram.

O que transforma de verdade a vida do sertanejo é a água correndo nos canos, fluindo nos canais, molhando o solo, dando força à lavoura, criando fartura no campo. Depois da barragem feita, não podemos relaxar. É preciso agora levar essa água até as casas, até os currais, até os lotes de terra onde o agricultor pode plantar feijão, milho, arroz, criar cabra, vaca, galinha. Isso sim é desenvolvimento.

Oiticica foi pensada para abastecer milhares de famílias e dar segurança hídrica à região. Mas se os governos não derem o próximo passo – com projetos de irrigação, capacitação dos agricultores, sistemas de distribuição e apoio à produção – tudo pode virar só concreto cinza em volta de um espelho d’água.

Queremos vislumbrar mais do que o azul da água ou o cinza do concreto na barragem. A foto necessária é da imensidão verde do milho crescido, do feijão florando, do capim verdinho cobrindo toda a região. A imagem que esperamos ver é do sertão com roça irrigada, gado gordo e feira cheia.

Como já dizia Patativa do Assaré, “se a seca é uma sentença, a água é redenção”. Mas a redenção só vem quando a água se transforma em vida – e vida só acontece quando tem produção, comida na mesa, renda no bolso e dignidade no campo.

Ressalte-se que essa obra foi resultado de rara união de esforços no RN. No governo Wilma, do qual fui secretário de Planejamento e Finanças, o projeto foi reestruturado, licenciado e incluído no PAC. Ali começou-se a abrir caminho para o que hoje está de pé.

Muito bom que Oiticica foi concluída. Mas que venha agora o segundo tempo dessa jornada: o tempo de fazer a água servir, produzir e transformar. Porque no Nordeste, quando a água corre certa, a vida floresce. E aí sim, o sertão deixa de ser promessa e vira futuro.